Cientistas usam vírus para produzir 20% mais THC em variante de cannabis

Cientistas usam vírus para produzir 20% mais THC em variante de cannabis

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 31 de Maio de 2022 às 18h30
Ckstockphoto/Envato Elements

Cientistas da Hebrew University of Jerusalem, em Israel, modificaram geneticamente pés de cannabis para produzirem níveis maiores de substâncias utilizadas em tratamentos médicos, como o tetraidrocanabinol (THC). O objetivo primário do estudo era encontrar maneiras de intervir em caminhos bioquímicos na planta para aumentar ou diminuir a produção de substâncias ativas.

Vírus e genes

Para modificar geneticamente a cannabis, os pesquisadores manipularam um vírus de plantas, primeiro neutralizando seus efeitos nocivos nos seres vivos, e então fazendo com que expressasse os genes que influenciam a produção de substâncias ativas nos pés da espécie: são ferramentas biológicas sintéticas, segundo os cientistas. O uso dessas ferramentas é inovador na área, especialmente em pés de cannabis, manipulados dessa forma pela primeira vez.

Manipulação genética através de vírus é a grande responsável pelo aumento da produtividade psicoativa das verdinhas (Imagem: Jeff W/ Unsplash)
Manipulação genética através de vírus é a grande responsável pelo aumento da produtividade psicoativa da cannabis (Imagem: Jeff W/ Unsplash)

Os níveis de THC, o componente psicoativo principal da cannabis, foram aumentados em números próximos a 17%, e os de canabigerol (CBG), molécula considerada precursora de todos os canabinoides, em até 25%. A razão de terpenos, responsáveis por maximizar o efeito eufórico da planta, também foi aumentada, nesse caso entre 20% e 30%.

Até o momento, já são conhecidos mais de 200 ingredientes ativos derivados da cannabis, e diversas pesquisas vêm sendo feitas para identificar substâncias e tratamentos médicos adicionais que possam derivar da planta. Modificar as variedades da planta para produzir certas substâncias ou alterar a razão entre elas não era possível — até agora.

Segundo os pesquisadores, o estudo será útil tanto para a indústria, já que o rendimento das substâncias ativas poderá aumentar sem a necessidade de plantar mais espécimes, quanto para pesquisas médicas, já que será possível cultivar e desenvolver novas variedades para uso médico. Mais experimentos têm sido feitos pela equipe, que deve divulgar os resultados à indústria e à pesquisa farmacêutica nos próximos meses.

Fonte: Phys.org

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