Uso de cannabis medicinal cresce 110% no Brasil, diz associação

Uso de cannabis medicinal cresce 110% no Brasil, diz associação

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 20 de Maio de 2022 às 11h30
Ckstockphoto/Envato Elements

A demanda pela cannabis medicinal está em alta no Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Canabinoides (BRCann), as importações de produtos do tipo cresceram 110% de 2020 para 2021. O menor preconceito e a pandemia da covid estão entre as principais explicações para o aumento da procura.

Em 2021, 40.191 novas solicitações de importação de medicamentos com canabidiol (CBD) — um dos compostos da cannabis com propriedades medicinais — foram feitas no país. Em 2020, as importações foram contabilizadas em 19.150.

Importação de cannabis bate recorde no Brasil em 2021, ultrapassando os 40 mil pedidos (Imagem: Twenty20photos/Envato Elements)

Segundo a BRCann, o movimento se intensificou nos últimos dois anos, mas o crescimento já era observado desde 2017. Naquele ano, foram 1.392 importações. Em 2018, o número chegou a 2.371. Em 2019, saltou para 8.522.

Além das importações, vale lembrar que algumas associações sem fins lucrativos também produzem medicamentos a partir da cannabis medicinal, como a Abrace Esperança. Nesses casos, o possível crescimento no mesmo período não entra no levantamento, já que são produtos nacionais.

Por que aumentou a busca pela cannabis medicinal no BR?

Para explicar o aumento das importações da cannabis medicinal, é necessário entender o impacto do isolamento imposto pela pandemia da covid-19. De forma geral, a situação enfrentada influenciou a procura por terapias contra dores crônicas, fibromialgia, depressão, ansiedade e distúrbios de sono, por exemplo. Além disso, deve-se somar a demanda já estabelecida, que era marcada pelo uso do CBD no tratamento de epilepsia em crianças.

"Sabemos que o confinamento causa depressão, que pode ser um gatilho para algumas condições, como a fibromialgia. O CBD age controlando sintomas que aparecem nessas diversas situações", explica Tarso Araújo, diretor da BRCann, para o jornal Folha de S. Paulo.

Outro fator é a busca por informação e, consequentemente, a redução do preconceito contra a cannabis medicinal. "São os próprios pacientes que buscam como aliviar os seus sintomas e descobrem os benefícios terapêuticos do CBD. O que ainda enfrentamos, infelizmente, é uma resistência por parte da classe médica em reconhecer o benefício", pontua Araújo.

É importante destacar que a história do uso da cannabis medicinal no Brasil ainda é bastante recente. Em 2015, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou pela primeira vez um medicamento do tipo, prescrito para o tratamento de epilepsia em crianças. Hoje, o número chega a 18.

Fonte: Folha de S. Paulo  

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