Cientistas do MIT criam fita adesiva cirúrgica para "colar" órgãos

Cientistas do MIT criam fita adesiva cirúrgica para "colar" órgãos

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 08 de Fevereiro de 2022 às 14h30
LightFieldStudios/envato

Na última quarta-feira (2), a revista Science Translational Medicine publicou um novo estudo conduzido pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), em que a equipe desenvolveu uma fita adesiva cirúrgica que pode ser aplicada em tecidos e órgãos para conter determinadas lesões internas, "colando" suas bordas.

Segundo o artigo, o adesivo leva apenas alguns segundos para aderir aos tecidos, onde se mantém por mais de um mês. A invenção ainda é flexível, capaz de se expandir e contrair junto com o órgão. Quando a lesão está totalmente curada, o adesivo se degrada aos poucos, sem causar qualquer problema de saúde.

A fita adesiva cirúrgica foi feita de ácido poliacrílico, um material absorvente encontrado em fraldas. Os pesquisadores misturaram esse ácido em N-Hidroxisuccinimida, um composto químico que pode se ligar a proteínas no tecido para fortalecer a ligação. A invenção também foi reforçada com álcool polivinílico.

Cientistas criam fita adesiva cirúrgica para conter problemas no intestino (Imagem: Reprodução/MIT News)

Os pesquisadores já tinham desenvolvido um material bem semelhante, que funcionava como uma fita dupla face. No entanto, depois de conversar com profissionais da saúde, entenderam que uma fita adesiva que funcionasse apenas um lado poderia ser ainda mais útil, na prática. Com isso, alguns materiais do adesivo "original" foram substituídos, e uma camada antiaderente foi aplicada.

Em meio aos testes, a equipe aplicou o adesivo em uma cultura com células humanas, que continuaram a crescer normalmente, indicando que o material é biocompatível. Quando implantado sob a pele de ratos, o adesivo biodegradou após cerca de 12 semanas, sem efeitos colaterais.

A fita adesiva cirúrgica também foi testada em lesões nos cólons e estômagos de alguns animais, e os cientistas do MIT se certificaram de que as lesões foram curadas, deixando cicatrizes bem discretas.

Fonte: Science Translational Medicine via MIT

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