Cientistas desenvolvem prótese mecânica de perna com "tato"

Por Rafael Rodrigues da Silva | 10 de Setembro de 2019 às 22h10

Na última segunda-feira (9), pesquisadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (Suíça) publicaram na revista Nature Medicine os resultados de um experimento com o objetivo de trazer a sensação de tato em próteses de pernas mecânicas. Esse tipo de pesquisa já é bastante comum e está bem avançado quando pensamos em próteses de mãos, chegando agora a abranger também os membros inferiores.

Na publicação, os pesquisadores descrevem como modificaram uma prótese de perna mecânica com sensores e eletrodos com o intuito de fazer com que o usuário pudesse sentir o movimento do joelho protético e emular estímulos sensoriais, como se estivessem sentindo a sola do pé biônico tocando o chão.

Para o experimento, foram usados dois pacientes com amputações acima do joelho. Ambos usaram uma perna mecânica da Össur, que já vem com um processador e sensores de ângulo para que os movimentos do joelho sejam os mais próximos da realidade. Os pesquisadores então adicionaram sete sensores no pé da prótese, que transmitiam sinais em tempo real, via Bluetooth, a um controlador amarrado no tornozelo da prótese. Esse controlador codifica os sinais dos sensores e os envia para um receptor implantado no nervo tibial do paciente (que desce pela parte de trás da coxa — e percorreria a panturrilha, terminando no pé), o que faz com que o cérebro do paciente interprete esses sinais com vindos do joelho e do pé protéticos.

Apesar do espaço amostral ser bem baixo, os resultados são promissores. Ambos os pacientes conseguiram andar mais rápido, consumiram menos oxigênio para usar as pernas mecânicas e se sentiram mais confiantes para se movimentar com elas. Os pesquisadores também testaram usar o implante tibial para efetuar testes de atenuamento da dor do membro fantasma (um problema comum em amputados, em que os pacientes reclamam de dores constantes no membro que já foi amputado e não faz mais parte do corpo). Ambos afirmaram que a dor diminuiu significativamente após alguns minutos de estímulos elétricos no nervo tibial.

Ainda que os resultados tenham sido positivos, ainda é preciso efetuar muito mais testes com uma quantidade maior de pessoas para garantir que esse tratamento é mesmo seguro antes de fornecer essas tecnologias para quem sofreu amputação de membros inferiores. Mas já é um ótimo primeiro passo para o futuro dessas pessoas.

Fonte: Engadget

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