Cientistas acreditam que uso de smartphones está alterando o formato do crânio

Por Rafael Rodrigues da Silva | 19 de Junho de 2019 às 15h36

Um estudo publicado na revista Scientific Report pode ter bons indícios de que os smartphones estão mesmo influenciando no desenvolvimento de “corpos estranhos” no organismo humano — mas não do jeito que você pode estar pensando.

Realizado por David Shahar e Mark G. L. Sayers, da Universidade da Costa do Sol (Austrália), os cientistas estudaram o crescimento de algo conhecido como protuberância occipital externa aumentada (EEOP) — um crescimento ósseo anormal na parte de trás do crânio que se parece com um pequeno “rabo” saindo da cabeça — em pessoas das mais diversas faixas etárias.

Geralmente encontradas em pessoas idosas, essas formações estão cada vez mais comuns também entre os jovens, para espanto dos pesquisadores. Em um estudo feito com 1.200 pessoas com idades entre 18 e 86 anos, as protuberâncias foram encontradas em 33% dos participantes — mas, ao contrário do esperado, essa condição era mais comum em homens entre 18 e 30 anos. E não só isso, mas a cada dez anos que a idade aumentava, havia uma redução de 1,03% na chance de pessoas daquela idade possuírem a mesma alteração craniana. E, como estudos anteriores realizados durante a década de 1990 não encontraram essa mesma relação, fica claro que isso se trata de um fenômeno bem recente.

A EEOP é uma protuberância óssea que cresce na parte traseira do crânio, próximo ao local onde ele se encontra com a espinha vertebral (Imagem: Scientific Reports)

A pesquisa de Shahar não procurou estabelecer qualquer relação clara sobre o que está causando essas neoformações, mas o fato de ser um fenômeno muito recente (pós-1990) indica que o maior responsável por isso, provavelmente, são os smartphones. Não daquela forma de “teoria da conspiração” que as pessoas alertam sobre os supostos perigos da radiação emitida por esses equipamentos no organismo, mas sim por conta da má-postura que o usuário assume quando utiliza esses aparelhos.

Estudos anteriores apontam para um fenômeno recente conhecido como “síndrome do pescoço de texto”, que é aquela posição de costas eretas e pescoço virado para baixo que costumamos ficar quando estamos lendo algum texto ou navegando pelas redes sociais em nossos smartphones. Segundo a hipótese proposta pelos pesquisadores, passar horas nessa posição todos os dias — algo que se tornou comum apenas nos últimos trinta anos, e praticamente não existia nas décadas e séculos anteriores — acaba aplicando uma sobrecarga muscular na base do crânio, com a qual ele não está acostumado.

Diagrama mostra os efeitos no corpo da chamada síndrome do pescoço de texto (Imagem: TheNeckJoint.com)

Isso estimularia o crescimento dessas protuberâncias ósseas que, antes dessa pesquisa, acreditava-se ser exclusivas de pessoas mais idosas e que naturalmente já possuem uma postura mais curvada. Claro, essa é apenas uma hipótese levantada pelos cientistas: isso quer dizer que é um palpite baseado nos estudos, mas ainda não há nenhum dado ou estudo que comprove essa afirmação. Novos estudos precisam ser feitos para elucidar essa questão.

Quem tiver interesse em ler a pesquisa completa de Shahar e Sayers, ela está disponibilizada na íntegra (em inglês) no site da revista Nature.

Fonte: Scientific Reports (Nature)

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