CFM libera hidroxicloroquina para COVID-19 (com consentimento)

Por Natalie Rosa | 23 de Abril de 2020 às 17h35
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O Conselho Federal de Medicina (CFM) acaba de liberar o uso da hidroxicloroquina no tratamento de sintomas iniciais ou graves da COVID-19, em ambiente domiciliar ou hospitalar. A decisão foi revelada logo após reunião com o presidente da República, Jair Bolsonaro, e com o ministro da Saúde, Nelson Teich.

Com a decisão, a hidroxicloroquina, mesmo que não exista comprovação científica sobre sua eficácia, poderá ser usada em três cenários. O primeiro, de acordo com Ribeiro, seria para pacientes com sintomas leves e em início de quadro clínico, com as possibilidades de gripe normal, H1N1 e dengue descartadas. Já o segundo é para pacientes que tenham sintomas importantes, mas que ainda não necessitam de cuidados intensivos ou de internação.

No terceiro cenário, o medicamento também está autorizado para ser usado em pacientes em estado crítico e que estejam recebendo cuidados intensivos, como a respiração mecânica. Embora o uso seja emergencial, Mauro Luiz Britto Ribeiro, presidente do CFM, afirma em nota que é "difícil imaginar que em pacientes com lesão pulmonar grave estabelecida e, na maioria das vezes, com resposta inflamatória sistêmica e outras insuficiências orgânicas, a hidroxicloroquina ou a cloroquina possam ter um efeito clinicamente importante".

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Recentemente, o Laboratório Químico Farmacêutico do Exército (LQFEx) anunciou a produção de 2,2 milhões de comprimidos de cloroquina para o tratamento do novo coronavírus, revelando ainda que pretende aumentar a fabricação para um milhão por semana.

Apesar de terem surgido alguns relatos de eficácia da droga no tratamento da doença, a nota publicada pelo CFM ressalta: "Não existem evidências robustas de alta qualidade que possibilitem a indicação de uma terapia farmacológica específica para a COVID-19”, diz o documento, revelando ainda que muitos medicamentos vêm sendo testados desde o final de 2019, mas que “nenhum ainda foi aprovado em ensaios clínicos com desenho cientificamente adequado, não podendo, portanto, serem recomendados com segurança”.

O CFM também desencoraja o uso do medicamento como preventivo. Deve ser explicado ao paciente ou familiares que ainda não há eficácia comprovada do medicamento no tratamento da COVID-19, além dos riscos que o seu uso pode causar, mediante assinatura de termo de consentimento livre e esclarecido.

"Diante da excepcionalidade da situação e durante o período declarado da pandemia, não cometerá infração ética o médico que utilizar a cloroquina ou hidroxicloroquina, nos termos acima expostos, em pacientes portadores da COVID-19", destaca Ribeiro no documento emitido pelo Conselho Federal de Medicina nesta quinta-feira (23). O parecer completo com informações sobre o uso da hidroxicloroquina está disponível para consulta online.

Fonte: Folha via CFM

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