Cérebros jovens e idosos guardam as memórias de forma diferente

Por Fidel Forato | 21 de Outubro de 2019 às 18h35

Memórias humanas não são como arquivos de computador, que estão gravados e podem ser acessados da mesma forma por qualquer usuário. A memória é, na verdade, um conjunto de sensações que o indivíduo desperta quando pensa ou fala algo. Dessa maneira, sons e imagens são recriados no cérebro e cada vez que uma pessoa relembra algo, novas informações são acrescentadas a essa memória antiga, o que muito provavelmente irá alterá-la. Durante muitos anos, havia o pensamento de que jovens e idosos vivessem esse processo da mesma maneira.

"No entanto, nossos resultados sugerem que isso não é verdade e que há uma importante diferença biológica em como as memórias são armazenadas na velhice em comparação com a idade adulta jovem", afirma o professor Karl Peter Giese, do King's College London, sobre pesquisa publicada na revista Current Biology.

De maneira geral, as memórias são criadas a partir de ligações. Diante de algo novo ou uma experiência, o cérebro humano cria conexões com as informações que você já tem e, nessa hora, neurônios criam uma nova conexão através da sinapse. Essa ligação é temporária e forma memória de curto prazo, que se não for usada ou reforçada, será perdida.

Conexões cerebrais 

Novas descobertas

Novas pesquisas do King's College London e da The Open University podem ajudar a explicar porque a memória na velhice é muito menos flexível do que na idade adulta. Através de experimentos em ratos, os pesquisadores descobriram que era muito mais difícil modificar as memórias em indivíduos idosos.

As lembranças são armazenadas no cérebro, fortalecendo as conexões entre as células nervosas, chamadas sinapses. Relembrar um fato altera essas conexões, o que permite que as memórias sejam atualizadas para se adaptarem a uma nova situação. Até agora, os pesquisadores não sabiam se esse processo de atualização de memória era afetado pela idade.

A idade dos animais não afetou a capacidade criar novas memórias, mas, ao analisar as sinapses antes e depois da tarefa de memória, os pesquisadores descobriram diferenças fundamentais entre roedores mais velhos e mais jovens. Em camundongos mais velhos, as mudanças sinápticas ligadas a novas memórias eram muito mais difíceis de modificar do que as mudanças observadas em camundongos mais jovens, ou seja, a atividade de recordar era muito mais difícil. Isso porque entre os animais mais jovens as sinapses promoviam múltiplas ligações, enquanto nos mais velhos, elas se conectavam menos.

Sobre os resultados o pesquisador Giese afirma: “Descobrimos que, diferentemente dos camundongos mais jovens, as memórias dos camundongos mais velhos não foram modificadas quando recuperadas. Essa natureza ‘fixa’ das memórias formadas na velhice está diretamente ligada à maneira alternativa como as memórias foram estabelecidas."

Como os processos biológicos para a criação de memórias são os mesmos entre os mamíferos, é muito provável que a formação de memória em humanos siga os mesmos processos descobertos em roedores.

Fonte: Science Daily

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