Células sem núcleo podem entregar "remédios" sob demanda no organismo
Por Fidel Forato • Editado por Luciana Zaramela |

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, desenvolveram uma nova estratégia para entregar remédios diretamente no organismo de pacientes doentes. A descoberta foi validada em testes com animais e consiste em usar células geneticamente modificadas — e que também tiveram o núcleo removido — como meio de transporte sob demanda para os tecidos.
- Novo tratamento previne câncer ao colocar células tumorais "para dormir"
- Cientistas descobrem nova célula no coração que regula frequência cardíaca
O direcionamento preciso e a entrega de medicamentos para células e tecidos doentes aumenta significativamente o benefício terapêutico, enquanto diminui os efeitos colaterais, explicam os autores do estudo. A pesquisa completa foi publicada na revista científica Nature Biomedical Engineering.
Durante os experimentos, a equipe apelidou as células estromais — vindas do tecido conjuntivo — que estavam sem núcleo e foram editadas de Cargocytes.
Validando o sistema de entregas das células sem núcleo
No estudo, os pesquisadores norte-americanos testaram o sistema sob demanda em camundongos com inflamação aguda e pancreatite — um tipo de inflamação do pâncreas.
Para tratar o quadro, os animais receberam as células sem núcleo que carregavam uma citocina anti-inflamatória. Vale explicar que citocina é uma proteína de sinalização que estimula a resposta do sistema imunológico e pode reduzir casos de inflamação no organismo.
Após a aplicação contante dessas células editadas geneticamente, os pesquisadores observaram a melhora da doença. “Esses Cargocytes retêm a maior parte de sua funcionalidade celular, mas agora também possuem uma capacidade muito maior de transportar e fornecer terapias especificamente para tecidos-alvo de maneira segura”, explica o principal autor da pesquisa e professor de patologia da universidade, Richard Klemke.
A descoberta “abre a possibilidade de tratar doenças entregando medicamentos precisamente onde eles podem fazer o melhor, com menos probabilidade de efeitos colaterais indesejados causados por esses medicamentos indo para outros lugares”, completa Klemke sobre os possíveis benefícios da estratégia.
Agora, a equipe de Klemke deve testar a capacidade dessas células em fornecer diferentes tipos de remédios (terapias) para diversos tecidos doentes. Além disso, os cientistas devem buscar formas de remover o núcleo de outros tipos de células, como as do sistema imune, o que poderá erradicar, no futuro, alguns tipos de câncer em metástase.