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Células de gordura poderiam queimar calorias sozinhas, diz estudo

Por| Editado por Luciana Zaramela | 10 de Julho de 2024 às 10h49

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Bioscience Image Library by Fayette Reynolds/Unsplash
Bioscience Image Library by Fayette Reynolds/Unsplash

Nos Estados Unidos, cientistas da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCFS) desenvolvem uma nova forma de fazer com que as células de gordura queimem calorias. A estratégia é bastante promissora e já foi testada em ratos, durante estudos pré-clínicos.

Publicado na revista Journal of Clinical Investigation, o estudo foca na conversão das células de gordura branca, conhecidas por armazenar caloria, em células de cor bege. Estas conseguem queimar calorias para manter a temperatura corporal. Todo o mecanismo pode, no futuro, dar origem a uma nova classe de medicamentos para perda de peso.

Até então, a maioria das pesquisas tentavam criar células de gordura bege através de células-tronco, o que é um processo bastante caro e difícil de ser escalonado para atender milhões de pessoas.

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Células de gordura marrom, branca e bege

Para entender, em alguns mamíferos, como os humanos, existem três “tons” diferentes de tecido adiposo. Cada um deles é composto por células de gordura branca, marrom ou bege. 

As brancas acumulam calorias, como se fossem uma reserva para o corpo. As marrons queimam essas calorias para gerar energia e manter a temperatura corporal em padrões ideais — os níveis são maiores no primeiro ano de vida, mas depois caem. Já as beges estão no meio do caminho, mas, mesmo assim, são capazes de queimar calorias. Normalmente, as beges crescem em meio a tecido adiposo branco. 

“Para a maioria de nós, as células de gordura branca não são raras e ficamos felizes em nos desfazer um pouco dela”, brinca Brian Feldman, professor da UCSF e autor sênior do estudo, em nota.

Testes para queima de calorias

Anteriormente, os pesquisadores já sabiam que a proteína KLF-15 tem um papel importante no metabolismo e na função das células de gordura, mas o conhecimento ainda não tinha uma aplicação prática.

Nos testes com roedores, a equipe descobriu que as células de gordura podiam mudar de uma forma para outra, com a supressão da proteína no organismo. Nesses casos, a configuração padrão se tornou o tipo bege.

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Em uma nova rodada de testes com células humanas cultivadas em laboratório, eles observaram que a proteína KLF-15 controla os níveis de um receptor chamado Adrb1, responsável por manter o equilíbrio energético no tecido.

Agora, se um medicamento for desenvolvido tendo como alvo o receptor Adrb1, será possível fazer com que as células de gordura queimem as calorias sozinhas, induzindo um mecanismo parecido de mudança de tipo de tecido. “Muitas pessoas achavam que isso não era viável”, pontua Feldman.

Como aponta o cientista, “essa abordagem funciona” e pode transformar essas células de gordura brancas em bege, mas ainda há um longo caminho no desenvolvimento e de testes antes que um novo remédio chegue ao mercado.

Fonte: Journal of Clinical Investigation, UCSF