Casos misteriosos de hepatite em crianças: o motivo, segundo especialistas

Casos misteriosos de hepatite em crianças: o motivo, segundo especialistas

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 25 de Abril de 2022 às 10h36
peoplecreations/Freepik

Nas últimas semanas, uma onda de casos misteriosos de hepatite começou a afetar crianças nos Estados Unidos e na Europa. Especialistas apontam que a condição parece estar associada com os vírus que causam sintomas do resfriado, conhecidos como adenovírus humanos (HAdV). Normalmente, esse tipo de agente infeccioso não causa complicações graves aos pacientes.

Segundo as autoridades de saúde do Reino Unido, 108 casos de inflamação súbita no fígado estão em investigação. Até o momento, a Agência de Segurança da Saúde do Reino Unido (Ukhsa) contabiliza que oito crianças precisaram de transplante de fígado devido à hepatite misteriosa. Em média, a condição está afetando quem tem entre um e cinco anos.

Casos misteriosos de hepatite em crianças pode ter relação com o vírus do resfriado (Imagem: Rido81/Envato Elements)

Afinal, o que é hepatite?

Vale explicar que a hepatite é o termo bastante amplo, usado para descrever a inflamação do fígado. "Geralmente, é o resultado de uma infecção viral ou dano hepático causado pelo consumo de álcool", detalha o Serviço Nacional de Saúde (NHS), no Reino Unido. Como as crianças não foram expostas ao álcool e nem a outras drogas, acredita-se que a causa seja um vírus.

Na medicina, são conhecidos cinco tipos principais de hepatite, como A, B, C, D e E. No entanto, nenhum deles, até agora, parece ter causado a inflamação do fígado observada nas crianças. É neste contexto que os especialistas buscam comprovar que um adenovírus está relacionado com os casos.

Qual a origem dos casos de hepatite em crianças?

As análises ainda estão em andamento, mas "o gatilho mais provável" dos casos misteriosos de hepatite em crianças é a infecção de um adenovírus, explica Susan Hopkins, consultora médica da Ukhsa, para o canal BBC. Isso porque 77% dos casos em investigação testaram positivo para alguma forma de adenovírus.

Sobre a questão das crianças transplantadas, a especialista lembra que "transplantes nessa faixa etária são extremamente raros, por isso, estamos preocupados e queremos entender por que isso está acontecendo e o que mais podemos fazer".

Para que o comportamento da infecção tenha se modificado nas crianças, a equipe de pesquisadores britânicos sugere que o adenovírus possa ter sofrido uma série de mutações, o que provocou esta maior capacidade em gerar inflamações no fígado.

Casos de inflamação misteriosa no fígado são relatados em crianças na Europa e nos EUA (Imagem: Ruwanof/Envato Elements)

Outra suposição sobre o maior risco da infecção está relacionada às medidas que foram adotadas contra a covid-19, como o distanciamento social. Em tese, o fechamento de escolas e a redução do contato social poderiam ter levado crianças pequenas a serem expostas ao adenovírus um pouco mais tarde em suas vidas, o que desencadeou as atuais complicações.

Por enquanto, os especialistas não observam relações com a covid-19 e nem com os imunizantes. Isso porque nenhuma das crianças que desenvolveram a hepatite misteriosa estava vacinada.

Como prevenir casos de hepatite?

Para evitar casos de hepatite relacionados com os adenovírus, os médicos explicam que é necessário manter as práticas de higiene adotadas durante a pandemia, como lavar sempre as mãos, com água e sabão. Também é válido não manter contato próximo com outras crianças que apesentam sintomas gripais.

Além da questão de higiene, os pais e responsáveis podem se atentar para alguns sinais e sintomas da inflamação do fígado, como:

  • Icterícia (olhos e peles amarelados);
  • Urina escura;
  • Comichão na pele (coceiras);
  • Dor muscular;
  • Perda de apetite;
  • Febre.

Em caso de dúvidas, o indicado é sempre buscar o auxílio de um profissional de saúde, como o pediatra da criança. Até o momento, o Brasil não relatou nenhum caso similar aos que são observados na Europa e nos Estados Unidos.

Fonte: BBC e NHS   

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