Cápsula do suicídio feita por impressora 3D permite morte digna e indolor

Por Redação | 29 de Novembro de 2017 às 08h21
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O assunto é polêmico, mas necessário. No mundo, estima-se que mais de um milhão de pessoas cometem suicídio anualmente. Isso significa que há uma morte por auto-extermínio a cada 40 segundos, o que chega a representar 2% das causas de morte.

O Ministério da Saúde publicou estatísticas sobre suicídio no Brasil em apoio às campanhas do Setembro Amarelo, visando a diminuição das mortes por suicídio no país em ao menos 10% até 2020. Segundo a publicação, o auto-extermínio é a quarta causa de morte mais frequente entre jovens de 15 a 29 anos de idade. Os jovens pertencentes à etnia indígena, bem como adolescentes e jovens adultos LGBT, são os que mais se matam no país, dada a perseguição às minorias e a falta de diretos básicos. A publicação entende a diminuição das incidências de morte por suicídio como papel do Estado, solicitando o apoio da população.

Mas o que dizer sobre pessoas que estão em plena capacidade de julgamento e tomada de decisões e ainda assim decidem partir dessa para uma melhor? A discussão é acalorada, pendendo entre a possibilidade de se ofertar tratamentos que revertam males psíquicos que levem o indivíduo a tomar essa decisão, bem como a proteção da autonomia das pessoas em poderem optar por encerrar suas vidas, especialmente em contextos onde estão afetadas por doenças terminais ou que não possuem tratamento de controle.

Foi pensando em dar dignidade às pessoas que desejam colocar fim em suas vidas que a Exit International, uma organização que atua no âmbito do direito dos suicidas desde 1997 e que teve papel importante na aprovação de leis de eutanásia em todo o mundo, criou uma câmara para fornecer aos indivíduos que desejam morrer uma opção de método de auto-extermínio digna, privativa e sem dores ou incômodos.

A Cápsula Sarco, produzida para oferecer uma morte digna e indolor a suicidas.

O Dr. Philip Nitschke, fundador e diretor da Exit International, afirmou que "a Cápsula Sarco não utiliza nenhuma droga de uso restrito e não necessita de nenhum procedimento que requeira conhecimento prévio, como punção de veias". Nitschke explicou também que há um teste que os interessados em se suicidar devem se submeter para averiguar se a decisão de morrer foi tomada com consciência e sanidade, para evitar que pessoas utilizem a Sarco para cometer suicídio de forma impulsiva ou sob o efeito de transtornos mentais, casos para os quais a Exit International recomenda tratamento psicológico ou psiquiátrico, conforme as necessidades de cada caso. Caso seja aprovado no teste, que é aplicado gratuitamente através da internet, o suicida recebe um código de quatro dígitos que, quando inserido na Sarco, permite a entrada do indivíduo na cápsula.

A morte se dá da forma mais confortável, indolor e letal possível: a câmara é gradativamente desprovida de níveis de oxigênio enquanto é inserido nitrogênio líquido, que contribui para a baixa de oxigênio disponível e permite a conservação do corpo após o processo, que não leva mais que alguns minutos.

A cápsula Sarco é dividida em duas partes: a primeira é uma máquina reutilizável, a segunda é uma espécie de cabine onde o suicida entra, passa por seu processo de morte e pode ser utilizada posteriormente como caixão. Ambas as partes foram desenvolvidas para que seja totalmente possível fabricá-las em qualquer lugar do mundo usando impressoras 3D.

Fonte: Exit International

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