Brasileiros criam sistema monitora presença do novo coronavírus no ar

Brasileiros criam sistema monitora presença do novo coronavírus no ar

Por Nathan Vieira | 19 de Agosto de 2020 às 15h15
Omni-electronica/divulgação

Com a pandemia, inúmeras instituições e empresas estão unindo forças para lidar da forma mais eficiente possível com a COVID-19. É o caso da startup Omni-electronica e do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), que juntos desenvolveram uma tecnologia que permite capturar amostras do coronavírus no ar e monitorar a segurança de ambientes com grande concentração de pessoas.

Anteriormente, a Omni-electronica já tinha desenvolvido o sistema SPIRI, que une sensores para monitorar a qualidade do ar em ambientes fechados. Funciona da seguinte maneira: um aparelho instalado no local com vários sensores integrados envia as informações para a central, que gera laudos on-line em tempo real. Os técnicos, então, podem instruir o cliente sobre a melhor forma de aumentar a circulação do ar quando ela não está adequada.

Ao longo de dois meses, os responsáveis pela pesquisa fizeram diferentes amostragens do ar no Hospital das Clínicas, com duas, seis e oito horas, e usaram um coletor que com uma membrana filtrante de politetrafluoretileno (PTFE), capaz de reter unidades do vírus, acoplado ao próprio sistema SPIRI.

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“Temos uma base de dados bastante robusta sobre a qualidade do ar em ambientes internos, sabemos como são transmitidos os vírus respiratórios e como as infecções se intensificam nos meses de inverno. Quando começou a pandemia do novo coronavírus, ficou bem claro para nós que a disseminação em ambientes internos era o cenário mais provável, embora isso ainda não fosse muito falado, nem mesmo pela Organização Mundial de Saúde [OMS]”, diz Arthur Aikawa, CEO da Omni-electronica e coordenador do estudo.

Spiti tecnologia que permite capturar amostras do coronavírus no ar e monitorar a segurança de ambientes com muita gente (Imagem: Divulgação/Omni-Electronica)

A membrana era então enviada a um laboratório parceiro, que realizava os testes de PCR (que identifica o RNA viral) em tempo real, o mesmo feito em amostras coletadas da cavidade nasofaríngea de pacientes suspeitos de terem sido infectados. Mesmo em ambientes com alta incidência de bioaerossóis, como aqueles em que são realizadas traqueostomia e intubação, os pesquisadores só conseguiram capturar o vírus em amostragens acima de oito horas.

Os resultados do estudo estão sendo preparados para publicação em periódico científico. Com o SPIRI, já era possível medir em tempo real a concentração de CO2, material particulado, temperatura e umidade. Esse protocolo inicial já pode garantir a circulação adequada do ar e evitar a concentração de vírus respiratórios no ambiente, mas a empresa aponta que atualmente também é possível fazer testes regulares para detectar se houve circulação do novo coronavírus.

“Os testes do SARS-COV-2 nesse protocolo são possíveis, mas difíceis de fazer em larga escala por questões de tempo e custo. São cinco dias apenas para o laboratório dar o resultado. O SPIRI sozinho, porém, é um indicador em tempo real para saber se estão sendo tomadas as precauções necessárias para que o ambiente fique menos propício para transmissão de vírus”, acrescenta Aikawa.

De acordo com o empreendedor,  a integração do SPIRI ao monitoramento do vírus no ar de locais estratégicos, como estações de trem e metrô, pode contribuir para um retorno mais seguro às atividades econômicas.

Fonte: Agência Fapesp

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