Bebês modificados geneticamente podem ter uma menor expectativa de vida

Por Rafael Rodrigues da Silva | 04 de Junho de 2019 às 15h59

No fim do ano passado, o cientista chinês He Jiankui surpreendeu toda a comunidade científica ao anunciar ter sido o primeiro a desenvolver bebês modificados geneticamente. Ele usou da engenharia genética para desabilitar o gene CCR5 em um casal de gêmeos, teoricamente tornando-os imunes ao vírus da AIDS. Mas, assim como acontece com qualquer experimento feito com o corpo humano sem o devido estudo, a modificação causada por ele pode ter acabado por piorar a expectativa de vida dessas crianças.

Isso porque um estudo recente publicado pela revista científica Nature Medicine, feito por pesquisadores da Universidade de Berkeley (EUA), descobriu que o não funcionamento do gene CCR5 pode diminuir a expectativa de vida das pessoas.

A descoberta foi feita após se analisar o DNA e as causas de mortes de 40 mil voluntários do UK Biobank, um enorme banco de dados genético do Reino Unido. Ao fazer essa análise, os pesquisadores perceberam que as pessoas que possuíam uma anomalia nos genes CCR5, que fazia com que eles não funcionassem, morriam cerca de 20% mais cedo do que aquelas que possuíam esses genes funcionando, e eram mais suscetíveis à gripe e ao vírus do Oeste do Nilo. Na média, esse gene defeituoso fez com que seus portadores vivessem quase dois anos a menos do que deveriam.

Com essa descoberta, os pesquisadores esperam que a história possa servir de alertar para cientistas no mundo inteiro entendam os riscos de se alterar o DNA de pessoas sem saber exatamente com o que estão lidando, pois cada gene possui diversas funções que os cientistas ainda estão descobrindo, e que, por isso, ainda é muito cedo para se fazer qualquer estudo sobre a edição de genes em pessoas.

Fonte: Engadget

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