Vírus bebê | Acompanhe o primeiro vídeo de um vírus crescendo em tempo real

Por Fidel Forato | 08 de Outubro de 2019 às 17h30

Já pensou em acompanhar um reality show, onde os espectadores podem assistir aos primeiros passos da vida de um vírus e torcer pelo seu desenvolvimento ou total aniquilamento? Se sim, pode comemorar! Em um único capítulo, pesquisadores de Harvard filmaram, pela primeira vez, a formação de um vírus RNA, em tempo real. O resultado, um pouco menos emocionante, foi divulgado no Youtube, mas sua gravação pode mudar o jeito como a medicina combate os vírus.

Em um artigo publicado na revista Proceedings da National Academy of Sciences, a equipe da Escola John Paulson de Engenharia e Ciências Aplicadas, de Harvard, detalha como obteve as filmagens usando um microscópio altamente especializado e a técnica chamada de “microscopia de dispersão interferométrica”.

A equipe concentrou seus estudos no vírus RNA, conhecido como retrovírus, o tipo mais comum de vírus na Terra e responsável por doenças diversas, desde um resfriado comum até poliomielite. Por meio do experimento, foi revelada a forma como esses organismos se organizam, com uma resolução surpreendente.

Para entender o agrupamento viral, os pesquisadores anexaram fitas do vírus RNA a um substrato, como um caule de flor, e fluíram proteínas sobre a superfície. Em seguida, usando o microscópio, a equipe observou as manchas escuras aparecerem e ficarem cada vez mais escuras, até atingirem o tamanho de vírus crescidos.

Em imagem comprativa do experimento de Harvard, o primeiro quadro apresenta a fase inicial e, no segundo, já é possível identificar o agrupamento de vírus

As proteínas organizam-se em hexágonos e pentágonos para formar uma estrutura parecida com uma bola de futebol — que são as manchas pretas — ao redor do RNA, chamada de capsídeo (ou cápside), o invólucro proteico responsável pela proteção do vírus. Até hoje nenhuma equipe tinha observado a montagem viral, por conta do tamanho muito diminuto de um vírus e seus componentes.

"Se os núcleos se formam muito rapidamente, os capsídeos completos não podem crescer", afirma o pesquisador Vinothan Manoharan, professor de engenharia química da universidade, a partir da observação e análise dos padrões apresentados no vídeo, que podem trazer insights sobre como impedir ao desenvolvimento de vírus patogênicos, os infecciosos.

Fonte: Futurism

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