BA.2: subvariante pode causar uma nova onda global da covid?

BA.2: subvariante pode causar uma nova onda global da covid?

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 24 de Março de 2022 às 11h30
Fusion Medical Animation/Unsplash

Casos de uma subvariante da Ômicron, a BA.2, começam a aumentar em todo o mundo. No momento, as novas infecções estão concentradas em países da Europa, como Alemanha e Reino Unido. Só que, muito provavelmente, a cepa do vírus da covid-19 ainda deve chegar até outros países e se tornar predominante.

Nos Estados Unidos, a proporção de casos da BA.2 já está aumentando. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estimam que 35% dos novos da covid-19 se devem a esta subvariante da Ômicron. A tendência é de crescimento para as próximas semanas.

Subvariante BA.2 pode levar a um novo aumento de casos globais da covid, como ocorre na Alemanha (Imagem: Reprodução/IciakPhotos/Envato)

Subvariante cresce nos EUA

"É provável que os EUA vejam um aumento nos casos de covid-19 nas próximas semanas, pois esse é o padrão que vimos antes. Ficamos atrás do Reino Unido e da Europa em algumas semanas, então o aumento que eles estão vendo poderia ser espelhado aqui", explica Leana Wen, médica e professora da Universidade George Washington, para a CNN.

Na análise da médica, "a BA.2 parece estar a caminho de ultrapassar a BA.1 para se tornar a variante dominante" nos EUA. Diante do possível cenário, "nossos funcionários do governo devem se preparar para o que pode estar por vir e aumentar a disponibilidade de testes e tratamentos, e continuar pedindo às pessoas que recebam vacinas e reforços", acrescenta a especialista.

Casos da BA.2 no Brasil

No Brasil, levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) observou que a cepa ainda é incipiente por aqui. Na última amostragem, apenas 21 dos 2.971 genomas sequenciados eram da subvariante. Com isso, os dados mostram que a BA.2 ainda tem espaço para crescer e, no futuro, pode levar a uma nova onda da covid-19.

Só que, por enquanto, a variante Ômicron (BA.1) original continua a ser a cepa predominante no país e é identificada em quase 100% das amostras sequenciadas. Estes dados também aparecem, de forma semelhante, nas análises do Instituto Butantan.

Quais os riscos da subvariante da Ômicron?

De acordo com Wen, "a BA.2 parece ser ainda mais contagiosa que a [variante] BA.1". Por exemplo, a Agência de Segurança da Saúde (HSE), do Reino Unido, estima que a velocidade da taxa de crescimento da subvariante é 80% maior que a da Ômicron original. Por outro lado, "a BA.2 não parece causar doença mais grave do que BA.1", aponta.

Vacinas ainda são importantes?

Doses de reforço são importantes para evitar casos graves da subvariante BA.2 (Imagem: Reprodução/DragonImages/Envato)

"A maioria das pessoas vacinadas e, em particular, que recebem reforço, provavelmente, não ficarão gravemente doentes devido à BA.2", explica Wen, reforçando a importância da vacinação contra a covid-19, principalmente em grupos de maior risco, como idosos.

"As vacinas que temos ainda são eficazes. Embora a vacinação possa não proteger tão bem contra a infecção por BA.1 e BA.2, a eficácia a esse respeito é parcialmente restaurada com uma dose de reforço, e as vacinas continuam a fornecer proteção muito boa contra doenças graves devido a ambas as subvariantes de Ômicron", completa.

Fonte: CNN  

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