Anti-inflamatório reduz em 30% mortes por COVID-19, segundo pesquisa britânica

Por Fidel Forato | 16 de Junho de 2020 às 19h42
Pixabay

No combate ao novo coronavírus (SARS-CoV-2) e na pesquisa por medicamentos eficazes contra a COVID-19, grupo de cientistas da Inglaterra afirma ter encontrado um medicamento capaz de auxiliar casos graves da doença respiratória. A droga, em questão, é um corticoide comum, chamado dexametasona, de baixo custo e bastante acessível.

Segundo os pesquisadores da Universidade de Oxford, que realizaram o estudo, o corticoide (ou anti-inflamatório esteroide) reduziu as mortes em até um terço nos pacientes hospitalizados, em estado grave. Agora, com a divulgação desses resultados, o governo britânico imediatamente autorizou o uso da droga em todo o Reino Unido para pacientes com coronavírus.

Os estudos científicos que detalham em quais situações a dexametasona pode melhor auxiliar a recuperação de pacientes com COVID-19 deve ser publicado em breve. Por enquanto, especialistas independentes alertam sobre a importância de se analisar esses casos para se saber sobre a melhor indicação da droga no tratamento.

Corticoide começa a ser usado no Reino Unido contra o coronavírus (Foto: Nati Harniki/ AP)

Pesquisa em hospitais britânicos

O estudo liderado pela Universidade de Oxford investigou, de forma aleatória, 2.104 pacientes que receberam o medicamento e foram comparados com o quadro de outros 4.321 doentes, não medicados com o anti-inflamatório. Após quatro semanas de uso, o medicamento reduziu as mortes em 35% nos pacientes que precisavam de tratamento com aparelhos respiratórios e em 20% naqueles que precisavam apenas de oxigênio suplementar. 

Quanto aos casos mais leves da COVID-19, o uso do medicamento não representou significativa melhora. Ainda na análise, os pesquisadores estimaram que esse corticoide poderia evitar uma morte para cada oito pacientes tratados em aparelhos respiratórios e um para cada 25 pacientes em uso de oxigênio extra.

"Esses são grandes efeitos", explicou o pesquisador de Oxford responsável pelo estudo, Martin Landray. Entre os atrativos da droga estão também o preço acessível, segundo Landray: "é notavelmente barato, talvez US$ 20 ou US$ 30 por todo um curso de tratamento".

O que fazem?

Corticoides como o dexametasona são eficazes no tratamento de inflamações, um quadro bastante comum no pulmão de pacientes graves da COVID-19. Isso acontece conforme o sistema imunológico da pessoa reage para combater a infecção do coronavírus e, por isso, os pesquisadores resolveram testar a droga. No organismo, a batalha contra a COVID-19 danifica, em alguns casos de forma drástica, os pulmões dos pacientes.

Além dos quadros da COVID-19, os corticoides são usados para combater infecções fúngicas e bacterianas, como meningite e um tipo específico de pneumonia comum em pacientes com HIV, mas não se mostraram tão úteis contra a gripe ou outras doenças virais, por exemplo. 

Efeitos colaterais?

Sobre as pesquisas iniciais com a droga, até o momento, não foram compartilhados dados sobre os efeitos colaterais da sua medicação. Sabe-se que, a longo prazo, a dexametasona é conhecida por afetar os rins e a imunidade dos pacientes. No entanto, os pesquisadores alegaram o uso de uma dose baixa e por um curto período de tempo, o que geralmente é seguro.

“A dose baixa a curto prazo não deve ser um problema, mas os esteroides [corticoides] têm muitos efeitos colaterais”, incluindo ganho de peso, pressão alta, retenção de água, alterações de humor, problemas de sono e problemas de sono e aumento de açúcar no sangue para pessoas com diabetes", explica Francisco Marty, especialista em doenças infecciosas no Brigham and Women's Hospital em Boston, nos Estados Unidos.

Outra parte desse mesmo estudo de Oxford para investigar drogas contra a COVID-19 já demonstrou, anteriormente, que a hidroxicloroquina não estava funcionando, da forma esperada, contra o novo coronavírus. Além da dexametasona, outros dois corticoides foram testados: prednisolona e hidrocortisona. No entanto, para eles, ainda não existem pesquisas detalhadas.

Fonte: AP News

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