Anda sonhando com a pandemia do coronavírus? Projeto online coleta seus sonhos

Por Fidel Forato | 04 de Maio de 2020 às 22h00

Você tem sonhado mais do que o normal desde o início da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2)? Os pesadelos são mais recorrentes e, às vezes, acorda assutado no meio da madrugada? Procurando desvendar a mente humana em tempos de COVID-19, um grupo de psicanalistas da Universidade de São Paulo (USP) vem coletando relatos, de forma online e anônima, inspirados por iniciativas da África do Sul e da Polônia. 

Pesquisa da USP coleta sonhos durante a pandemia do novo coronavírus
(Imagem: Reprodução/ Laboratory of Neuro Imaging and Martinos Center for Biomedic)

Solicitando apenas informações como idade e região em que mora, o formulário pede que o participante narre um sonho pessoal, que tenha ocorrido a partir de março, e instiga a pessoa a associar sua narrativa com algum acontecimento ligado à pandemia do coronavírus. No futuro, essas respostas servirão como fontes de estudos em psicanálise, psicologia e saúde mental. 

“A plataforma vai ficar aberta por um período para conseguirmos coletar o maior número possível de sonhos. Entendemos esse material como uma doação que as pessoas fazem para um acervo”, explica o psicanalista Paulo Endo, coordenador do Grupo de Pesquisa Direitos Humanos, Democracia, Política e Memória do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, em entrevista para o Jornal da USP no Ar.

Histórico de pesquisa

A ideia de coletar sonhos anônimos começou em 2015, quando foi realizado um evento no IEA sobre o papel das pesquisas no campo da memória em relação à consolidação e ao futuro da democracia. Na ocasião, o professor Garth Stevens, da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, compartilhou sua experiência na coleta de testemunhos sobre o apartheid sul-africano, a partir de plataformas digitais.

Ainda na mesma linha de pesquisa, em 2017, foram reunidos pesquisadores da Universidade de Gdansk, na Polônia, para a investigação de um inventário de sonhos de mais de 500 páginas, abrigado no memorial de Auschwitz, e trazia relatos oníricos de ex-prisioneiros do regime nazista. Com essas duas experiências, o grupo de psicanalistas do IEA lançaram seu mais recente Inventário de Sonhos.

Os sonhadores de plantão que quiserem contribuir com os seus relatos para o projeto da USP devem acessar, por aqui, o formulário Inventário dos Sonhos. A pesquisa garante o anonimato dos participantes.

Fonte: Jornal da USP

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