Robôs assassinos autônomos poderão ser comprados por civis, alerta especialista

Robôs assassinos autônomos poderão ser comprados por civis, alerta especialista

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 17 de Dezembro de 2021 às 16h53
Reprodução/Orion Pictures

Ter um robô assassino pequeno, leve e barato pode se tornar realidade em breve. O alerta foi feito pelo pesquisador de inteligência artificial (IA) e armas do MIT Max Tegmark. Segundo ele, androides programados para abater pessoas estão prestes a cair nas mãos de civis em várias partes do mundo.

O Future of Life Institute (FLI), cofundado por Tegmark, produziu um filme de cinco minutos que prevê o futuro dos chamados “robôs assassinos” não regulamentados. As imagens retratam execuções em massa em assembleias legislativas, bots usados em assaltos e drones com reconhecimento facial atacando grupos étnicos específicos.

“Essa visão distópica do mundo pode um dia se tornar realidade. Se você pode comprar robôs de abate pelo mesmo preço de um rifle AK-47, isso será muito mais vantajoso e cômodo para os cartéis de drogas, por exemplo, porque ninguém mais será pego quando estiver matando alguém”, alerta Tegmark.

Perigo global

O que mais preocupa o pesquisador é que grandes potências militares como os Estados Unidos, Rússia e China, já sinalizaram que são contra a proibição global de armas autônomas letais. Em uma reunião da ONU realizada em Genebra, na Suíça, delegados de vários países debateram sobre a regulamentação desse tipo de armamento sem chegar a um consenso.

Embora algumas nações tenham concordado com uma legislação mais rígida para o controle de armas guiadas por inteligências artificiais, os EUA, por exemplo, propuseram a criação de um código de conduta que, de maneira geral, delineia alguns limites de uso, mas sem uma obrigação legal para obedecê-los.

“Como a reunião da ONU exige um acordo unânime sobre quaisquer novas regras, as perspectivas de restrições significativas parecem sombrias. Em última análise, a oposição às novas regras pode se revelar autodestrutiva, com os maiores perdedores sendo os países militarmente dominantes, já que essas armas são incrivelmente baratas”, explica Tegmark.

Futuro incerto

Segundo as Nações Unidas, os primeiros drones assassinos sem operadores humanos foram usados em março de 2020 durante um combate entre facções militares líbias. Supostamente, Israel também teria utilizado um rifle robótico assistido por IA para assassinar um cientista nuclear iraniano no ano passado.

Campanha Stop Killer Robots lançada em 2012 (Imagem: Reprodução/SKR)

Leis que tramitam nos Estados Unidos pretendem pedir autorização ao Congresso para construir armas autônomas de longo alcance. Em outros países, parece ser apenas questão de tempo para que esses armamentos letais, capazes de matar furtivamente, estejam disponíveis para quem quiser comprá-los.

“Eles serão pequenos, baratos e leves como smartphones, e incrivelmente versáteis e poderosos. É assustador considerar um futuro não tão distante em que qualquer civil possa comprar e programar um drone para matar outra pessoa. Se não fizermos nada a respeito, armas inteligentes de destruição em massa estarão no mercado em breve”, prevê Max Tegmark.

Fonte: TheNextWeb

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