China usou drone submarino autônomo para seguir e bombardear alvos

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 15 de Julho de 2021 às 17h01
BAe Systems/Flickr

Um artigo publicado no Journal of Harbin Engineering University, principal instituto de pesquisa de submarinos da China, revelou que o país desenvolveu secretamente drones aquáticos dotados de inteligência artificial (IA) e capazes de seguir, interceptar e bombardear alvos inimigos com torpedos teleguiados, sem intervenção humana e com alto poder destrutivo.

O projeto de um veículo subaquático não tripulado foi financiado pelas forças armadas e pode ter começado no final da década de 1990. Embora não tenha uma localização precisa, o relatório indica que os testes podem ter acontecido na costa da província oriental de Fujian ou no Estreito de Taiwan em 2010.

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“Esses drones robóticos agora estão trabalhando principalmente de forma individual, como soldados solitários. Mas com atualizações tecnológicas de última geração, eles poderão patrulhar e atacar em grupos, como um enxame coordenado”, explica o professor do Departamento de Engenharia de Som Subaquático da Harbin University Liang Guolong.

Possível local dos testes com o drone subaquático próximo ao Estreito de Taiwan (Imagem: Reprodução/Harbin Engineering University)

Instinto assassino

O drone subaquático foi programado para patrulhar em uma profundidade de 10 metros abaixo da superfície do mar seguindo uma rota predeterminada. Durante a simulação, o veículo mudou para o modo de combate mais agressivo quando interceptou o sinal do sonar de um alvo falso à distância.

Como se fosse um tubarão prestes a atacar sua presa, ele circulou o submarino enquanto a IA tentava filtrar o ruído ambiente para identificar o alvo. Após determinar a localização exata, o drone disparou um torpedo, que não estava carregado por questões de segurança, sem qualquer supervisão ou controle de um operador humano.

Mapa da ação do drone durante a simulação em 2010 (Imagem: Reprodução/Harbin Engineering University)

Os drones submarinos convencionais têm computadores que ajudam a localizar e rastrear alvos, mas decisões importantes como ataques ou a identificação de embarcações aliadas dependem exclusivamente de quem está no comando. Além disso, todos os subsistemas, como aquisição de informações, detecção de alvo, avaliação, status e controle de parâmetros devem ser completamente independentes. “Submarinos não tripulados podem cometer erros e sua comunicação pode ser interrompida por inimigos”, pondera o professor Liang.

Resposta

Segundo os responsáveis pelo artigo, apesar das questões éticas envolvidas, militares dos EUA pediram à Boeing que construísse quatro veículos subaquáticos não tripulados “extragrandes”. Já a Rússia desenvolveu um novo submarino que pode lançar um drone nuclear com capacidade ofensiva para destruir uma cidade. Israel e Singapura também estão na lista dos países que testaram ou implantaram sistemas parecidos nos oceanos.

Para os especialistas, há uma chance real de conflito internacional se a China decidir reivindicar Taiwan à força, mas a recente liberação desses arquivos secretos pode ser apenas uma tentativa de demonstração de poder militar para intimidar possíveis inimigos ao redor do planeta.

“Naturalmente, tais desenvolvimentos levantam sérias questões sobre armas autônomas escolhendo seus próprios alvos. Mas como é isso que as minas marítimas já fazem, de uma forma ou de outra, o debate no reino subaquático ainda está longe de terminar e requer uma análise bem mais profunda sobre as possíveis consequências em uma eventual guerra nos oceanos”, termina o professor Liang Guolong.

Fonte: Journal of Harbin Engineering University

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