Pele artificial é capaz de ficar com hematomas como se fosse de verdade

Pele artificial é capaz de ficar com hematomas como se fosse de verdade

Por Gustavo Minari | Editado por Douglas Ciriaco | 17 de Junho de 2021 às 09h15
Vladdeep/Envato

Quando alguém bate uma parte do corpo contra a parede dura sabe que, depois da dor, o local provavelmente vai ficar roxo. Essa característica da pele humana, de gerar hematomas para indicar lesões, agora também pode ser reproduzida em robôs graças à pele iônica (I-skin) criada por pesquisadores da Universidade Chinesa de Hong Kong.

O novo material consegue detectar a força do impacto por meio de sinais iônicos e muda de cor, do amarelo para o roxo, de uma maneira muito semelhante ao que ocorre com a pele humana depois de uma pancada. O hidrogel utilizado no equipamento é transparente, elástico, biocompatível e pode ser aplicado em próteses eletrônicas.

“Nós esperamos que a pele artificial seja especialmente útil para robôs macios ou pessoas que usam próteses e não recebem feedback sensorial para saber que bateram em algo e potencialmente se machucaram ou danificaram algum membro sem perceber”, diz um dos responsáveis pelo estudo, o pesquisador Qi Zhang, do departamento de ciência e engenharia da universidade.

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Hidrogel muda de cor ao sofrer pressão (Imagem: Reprodução/ACS)

Tecnoderme

O hidrogel iônico criado pelos cientistas possui uma molécula chamada espiropirana, que muda de cor depois de sofrer estresse mecânico. Durante os testes, o material mostrou variações na pigmentação e na condutividade elétrica quando foi esticado ou comprimido. A cor roxa permaneceu na pele por até cinco horas antes de voltar a ficar amarela.

Para provar o conceito, os pesquisadores colaram a I-skin em diferentes partes do corpo de voluntários, como dedos, cotovelos e joelhos. Eles perceberam que dobrar ou esticar o novo material causava mudança no sinal elétrico, mas não machucava a pele o suficiente para gerar hematomas.

Adesivo com a I-skin colado no cotovelo de voluntários (Imagem: Reprodução/ACS)

“Esse comportamento gradual é muito parecido com o que ocorre com a pele humana em termos de sinalização elétrica e óptica. Isso abre novas oportunidades para detectar danos em dispositivos protéticos e de robótica, fatores essenciais para a fabricação de dispositivos mais eficientes e responsivos”, explica Qi Zhang.

Camuflagem robótica

Peles artificiais com capacidade de detecção têm um grande potencial em aplicações de dispositivos vestíveis ou para a robótica suave, criando androides que poderiam ser confundidos com humanos, que se machucam e “sentem” quando esbarram ou são atingidos por alguma coisa.

Por enquanto, peles eletrônicas que apresentam hematomas e produzem feedback tátil para próteses ou robôs ainda estão em fase de testes. Os pesquisadores da Universidade de Hong Kong conseguiram demonstrar um avanço promissor, mas eles criaram apenas pequenas amostras em forma de patches.

Esquema de funcionamento dos patches de I-skin (Imagem: Reprodução/ACS)

Ainda vai levar um bom tempo até que os cientistas consigam cobrir robôs inteiros com peles funcionais, capazes de imitar todas as características da epiderme humana. “Nós criamos películas que usam íons para transportar cargas elétricas, como na pele de verdade, mas ainda precisamos ver se essa propriedade se aplica em escalas maiores”, completa o pesquisador.

Outras tentativas

A empresa russa Promobot desenvolveu polímeros especiais para esculpir o que os pesquisadores chamam de nova geração de androides. A borracha maleável foi criada para “vestir” as partes metálicas dos robôs e o resultado é no mínimo perturbador. Tempos atrás, ninguém poderia imaginar que a “pele” de uma máquina seria tão realista.

Cientistas da Universidade Nacional de Singapura também entraram nessa onda de robôs com características humanoides. Eles inventaram uma espuma que dá às máquinas a capacidade de "sentir" objetos. A AiFoam possui nervos artificiais, que além das propriedades sensitivas, também consegue se autoconsertar quando danificada.

Ainda é cedo para afirmar quando os robôs sensíveis ao toque, capazes de experimentar sensações, de se machucar ou sentir dor estarão presentes entre os seres humanos "comuns", longe dos laboratórios. Enquanto isso não acontece, resta apenas imaginar como será o futuro com androides criados à nossa imagem e semelhança.

Fonte: ACS

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