Snapchat segue perdendo usuários e está no vermelho, apesar de bons rendimentos

Snapchat segue perdendo usuários e está no vermelho, apesar de bons rendimentos

Por Rafael Rodrigues da Silva | 25 de Outubro de 2018 às 22h55

O Snapchat revelou nesta quinta (25) o relatório de resultados financeiros da empresa referentes ao terceiro trimestre deste ano — e os números não agradaram em nada aos investidores. De acordo com os dados, o Snapchat continua passando por um processo de encolhimento, com a quantidade de usuários diá rios ativos caindo mais uma vez, passando de 188 milhões do segundo trimestre para 186 milhões neste último.

Apesar disso, a empresa superou as expectativas dos analistas, alcançando um rendimento de U$ 298 milhões — U$ 15 milhões a mais do que o esperado. Ainda que o rendimento tenha sido melhor do que o esperado, a empresa ainda opera no prejuízo, e as estimativas mais otimistas são de que a empresa terá seu primeiro trimestre lucrativo apenas em 2019.

Infográfico do número de usuários ativos diariamente no aplicativo desde o segundo trimestre do ano passado (Imagem: Snapchat)

O motivo para o otimismo da empresa é a quantidade de receita gerada por cada usuário, que cresceu 14% em comparação com o segundo trimestre deste ano. Apesar disso, os analistas se preocupam com as receitas geradas fora dos Estados Unidos e da Europa, que caíram 12,5%.

De acordo com Evan Spiegel, CEO da companhia, o principal motivo para esses números é a falta de uma versão estável do aplicativo para Android. Ele defende que, assim como a receita caiu nas regiões onde o Android é o sistema mais utilizado (todos os lugares, com exceção dos Estados Unidos e de alguns países da Europa), os dois milhões de usuários que a empresa perdeu no período também foram em sua maioria usuários de Android.

Infográfico de valor de receita gerado por cada usuário a partir do segundo trimestre de 2017 (Info: Snapchat)

Apesar disso, Spiegel ainda não sabe dizer quando a empresa terminará de arrumar a versão para Android do aplicativo, alegando que não forçarão o lançamento de uma versão que ainda esteja apresentando problemas. Essa questão se mostra um grande problema para investidores, que acreditam que a melhor maneira de retomar o crescimento é se concentrando no mercado de países em desenvolvimento, onde a maioria dos aparelhos utilizados são dispositivos Android.

Em um comunicado enviado para os acionistas, Spiegel detalha que o plano da empresa é “ficar no zero” já no próximo trimestre, para voltar a ter lucro em 2019. Um dos planos é começar a tentar atrair um público mais velho para o app, que hoje possui praticamente toda a base de usuários na faixa entre 13 e 34 anos. Apesar disso, o acionistas se mostram céticos, pois não há garantias de que um público mais velho vá se atrair e se manter fiel à plataforma.

Ainda, vale lembrar que muitas das pessoas mais jovens justamente escolheram o Snapchat como rede social do coração pelo fato de que seus pais, tios e professores começaram a usar mais as redes sociais mais antigas, como Facebook e Twitter — e já se tornou um tanto quanto comum vermos adolescentes falando que "o Facebook é coisa de velho"; então, se o Snapchat começar a atrair esse público, ninguém garante que os jovens não vão migrar para outro serviço a fim de manterem uma comunidade condizente com os interesses de sua faixa etária.

Independente de qual for o plano, ele precisa ser executado rapidamente: a empresa possui agora apenas U$ 1,4 bilhão de crédito em conta, e se não voltar a crescer já nos próximos meses pode ficar com o caixa zerado antes mesmo de se tornar rentável, o que a obrigaria a vender mais ações a fim de levantar caixa ou, em uma medida mais drástica, vender a empresa para que ela possa continuar viva.

Fonte: Tec Crunch

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