YouTubers se juntam a grupo sindical para exigir maior igualdade na plataforma

Por Rafael Rodrigues da Silva | 29 de Julho de 2019 às 17h00
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Em um movimento inesperado, o “Sindicato dos YouTubers”, um grupo criado para lutar pelos direitos dos cada vez mais frustrados criadores de conteúdo da plataforma, revelou, na última sexta (26), uma parceria com a IG Metall, um dos maiores sindicatos do comércio de toda a Europa.

A colaboração, que recebeu o nome de FairTube, entregou uma carta de demandas endereçadas à cúpula do YouTube deu a eles um prazo de até o dia 23 de agosto para fazer as melhorias na transparência de resultados e no aumento de poder de negociação da comunidade de criadores em todas as futuras mudanças que forem feitas no YouTube.

De acordo com o que o líder do Sindicato dos YouTubers, Jörg Sprave, explicou para o site Motherboard, nenhuma das exigências feitas pela entidade são irreais ou mexem diretamente no lucro da plataforma, e tudo o que eles querem é uma maior transparência e comunicação entre a cúpula do YouTube e seus criadores de conteúdo, que são os responsáveis pelas pessoas acessarem diariamente o site.

E, pelo jeito, a iniciativa está sendo bem vista pela comunidade. Desde que publicou o vídeo de anúncio do FairTube na última sexta (26), o Sindicato dos YouTubers conseguiu mais de 1200 novos membros filiados em apenas três dias. Até o momento que essa matéria foi escrita, o vídeo de anúncio da iniciativa conta com mais de 150 mil visualizações e mais de 4 mil comentários, a enorme maioria deles positivos e apoiando o movimento.

A criação do Sindicato ocorreu em 2018, como forma de resistência a práticas de desmonetização que o YouTube havia implantado na plataforma desde o “Adpocalypse” (quando diversos anunciantes abandonaram o YouTube por conta de seus produtos serem veiculados em vídeos a favor do nazismo ou de grupos terroristas), e que têm impedido diversos criadores independentes de conseguirem sustento através de seus canais. Desde então, diversos produtores de conteúdo tem tido seus vídeos e canais ocultados, censurados e removidos, muitas vezes sem nenhuma explicação do YouTube sobre o porquê isso ocorreu.

A parceria entre o Sindicato dos YouTubers e a IG Metall acontece em um momento bastante propício para ambos, já que a última é quem tem liderados os esforços de exigir melhores condições de trabalho para os trabalhadores da chamada “economia de aplicativos”, categoria onde se encontram motoristas de aplicativos como a Uber e entregadores de apps como o iFood. Assim, ao mesmo tempo que a entidade fornece ao grupo de YouTubers os recursos, influência política e experiência em negociação, eles também recebem uma assessoria sobre o funcionamento de todo o ecossistema do YouTube e o acesso à comunidade YouTuber, isso deverá ajudá-los a entender melhor a atual economia colaborativa via internet.

Entre as demandas exigidas pela iniciativa estão: a criação de uma equipe independente (ou seja, que não seja composta apenas por funcionários do YouTube) para mediação de casos de desmonetização e violação de violações da política de uso da plataforma; a mudança do sistema de apelação de decisões do YouTuber pelos criadores de conteúdo, substituindo o atual sistema controlado por IA, no qual os criadores podem ter acesso direto a operadores humanos; e a criação de cadeiras para representantes da comunidade de criadores nas reuniões corporativas da empresa, para que a comunidade também possa ter representantes participando de forma ativa na tomada de decisões da gigante das buscas.

Caso o YouTube não se pronuncie ou se negue a abrir negociações com a iniciativa FairTube até o dia 23 de agosto, o Sindicato dos YouTubers promete iniciar um movimento de pressão na plataforma, com seus criadores levando a audiência para outros canais, enquanto a IG Metall promete fazer um exame completo e detalhado da situação jurídica do YouTube. Isso abriria a possibilidade de se iniciar um processo na justiça para que o YouTube seja obrigado a reconhecer seus criadores de conteúdo como funcionários.

Até o momento, o YouTube ainda não se pronunciou sobre a iniciativa, e não deu nenhum indício de estar ou não aberto a negociações sobre as demandas.

Fonte: Gizmodo

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