YouTube atualiza suas regras e passará a banir qualquer conteúdo supremacista

Por Rafael Rodrigues da Silva | 05 de Junho de 2019 às 19h50
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Nesta quarta-feira (5) o YouTube oficializou uma mudança em suas regras de conduta que o tornará a primeira rede social a banir vídeos com conteúdo supremacista. Isso quer dizer que todos os vídeos que promovam ideias nazistas ou qualquer outro de ideologia que pregue que uma pessoa é superior a outra por causa de seu gênero, cor, idade, religião, orientação sexual ou qualquer outro motivo não será mais aceito no YouTube.

A empresa afirma que a política de “braços abertos” do YouTube permitiu que as pessoas exercessem sua criatividade e tivessem maior acesso à informações, e que por isso era responsabilidade do YouTube proteger seus criadores e evitar que a plataforma se tornasse um local usado para incitar ódio, discriminação e violência.

A nova política do YouTube tem a intenção de melhorar o site de três modos: o primeiro é removendo qualquer conteúdo nazista ou extremista que advogue pela segregação ou exclusão de uma parcela da sociedade baseado em idade, cor, identidade de gênero, raça, religião, orientação sexual ou status. O YouTube também irá remover qualquer vídeo que defenda uma segregação por casta — algo que terá muito impacto na Índia — e também qualquer conteúdo que duvide da existência de eventos violentos amplamente documentados, como vídeos conspiracionistas que tentam convencer as pessoas de que o Massacre de Sandy Hook ou o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001 foram forjados.

O segundo passo é fechar o cerco em conteúdos que “flertam” com as ideias banidas pela nova regra. Esses são aqueles vídeos que não são abertamente segregacionistas, mas que flertam com as ideias dessas ideologias. Um dos casos mais famosos desse tipo de conteúdo é o de PewDiePie, que não faz vídeos para promover o nazismo, mas está sempre fazendo “piadas” antissemitas ou mandando um “salve” para canais da plataforma que são abertamente nazistas. Assim, os vídeos que o YouTuber fizesse algo do tipo não seriam mais recomendados pelo algoritmo do YouTube, o que afetaria bastante a quantidade de visualizações desses conteúdos. A empresa também passará a dar maior destaque para conteúdos feitos por sites de notícias e criadores com maior critério na seleção de seus materiais, como forma de fazer com que conteúdos com maior pesquisa factual tenham mais destaque sobre aqueles de pura opinião.

E, por último, o terceiro passo seria restringir a monetização de qualquer canal que está constantemente “flertando” com ideais segregacionistas, impedindo esse canais não apenas de participar do Programa de Parceiros do YouTube mas também de usar o Super Chat — uma ferramenta que permite que os usuários paguem "gorjetas" diretamente aos donos dos canais para liberar opções avançadas no chat, e que uma reportagem recente do Buzzfeed havia mostrado que estava sendo usado por grupos nazistas para bancar suas atividades.

YouTuber PewDiePie pode ser o mais famoso dos possíveis afetados pela política de "fechar o cerco" sobre criadores que flertam com conteúdos supremacistas (Imagem: YouTube)

Até o momento, o YouTube não revelou o nome de nenhum canal ou criador específico que será banido por causa das novas regras, mas estima-se que dezenas de milhares de canais serão removidos do site por conta de conteúdos supremacistas.

De acordo com a empresa, as mudanças na plataforma já valem a partir de hoje (5), mas há dúvidas se as novas regras realmente serão seguidas à risca. Isso porque, na última terça-feira (4), o YouTube surpreendeu ao decidir não dar nenhuma punição a Steven Crowder, um comentarista que há meses vem perseguindo em seus vídeos na plataforma o jornalista Carlos Maza, atacando a todo momento a homossexualidade do jornalista e o fato de ele ser um imigrante latino, usando termos homofóbicos e raciais, como “veado”, “bichinha” e “chicano”. Maza denunciou os ataques para a plataforma, que diz ter estudado a denúncia e chegado à conclusão que, ainda que ofensivos, os xingamentos não violavam as políticas de uso do site — ainda que as regras da companhia prevejam a remoção de qualquer conteúdo que se enquadre como assédio ou bullying, e que mostre preconceito pelo local de nascimento ou orientação sexual de alguém.

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