Twitter atribui selo de “mídia manipulada” a vídeo compartilhado por Trump

Por Rafael Arbulu | 09 de Março de 2020 às 12h52
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[Atualização às15h] Inserimos novas informações ao final do texto original, pertinentes ao contexto de onde as etiquetas foram exibidas para a nossa equipe. Elas foram inseridas em um parágrafo específico — o penúltimo da nota — a fim de refletir o fato de que a mesma exibição não se repete no app móvel ou em certos navegadores.

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Recentemente, o Twitter anunciou uma nova política de combate à desinformação frente à iminente chegada das eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2020. A ideia basicamente gira em torno de marcar com selos específicos os posts que divulgarem fake news comprovadas.

E já temos o mais novo "felizardo" a receber o tal selo: um retuíte feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A publicação mostrava um vídeo com o pré-candidato do Partido Democrata, Joe Biden, supostamente endossando o atual Chefe de Estado norte-americano. O vídeo, porém, é severamente editado, cortando momentos das frases de Biden para reverter o que, na verdade, foi uma crítica ao atual governo.

Na versão editada, Biden aparentemente diz: “Com licença, mas nós só podemos reeleger Donald Trump”...

...enquanto a versão original mostra Biden falando: “Com licença, mas nós só podemos re-eleger Donald Trump se de fato nós engajarmos nessa ‘linha de tiro' mútua. Essa deve ser uma campanha positiva”. O ex-vice-presidente da administração de Barack Obama estava, em seu discurso, criticando a propensão de Trump de atacar seus adversários ao invés de mostrar suas propostas.

Isso não é tudo: a nova política do Twitter começa a mostrar-se mais evidente também na rotulação de perfis, não apenas de posts. A conta oficial de Trump, por exemplo, tem o adesivo de "não confiável" (Untrustworthy), ao passo que perfis suspeitos de serem robôs também são devidamente marcados (Trollbot), conforme as imagens abaixo. Posts de conteúdo duvidoso também têm a cor da fonte mudada para o tom vermelho, sinalizando que se trata de um material de procedência questionável.

(Captura de Imagem: Rafael Arbulu/Canaltech)
(Captura de Imagem: Rafael Arbulu/Canaltech)

Por ora, porém, a implementação parece ser feita de forma gradual: em um teste bem básico, o Canaltech monitorou os perfis de políticos no Brasil e, até a publicação desta nota, nenhuma conta apresentava qualquer identificação de "não confiável", ou indicativos de bot nas respostas e interações de suas publicações. Entramos em contato com a assessoria do Twitter para saber como essa mudança está sendo disponibilizada e quando isso deve ocorrer em contas brasileiras, mas, até o momento, não tivemos resposta.

O selo de “mídia manipulada” do Twitter começou a aparecer para alguns internautas no último final de semana. O projeto é resultado de um estudo conduzido pela rede de microblogs desde novembro de 2019 e é inserido após a empresa analisar fatores como o contexto da publicação, seus metadados e as informações públicas a que o Twitter tem acesso.

Vale ressaltar um outro ponto que parece confirmar o caráter gradual da nova função: as etiquetas — todas elas — só apareceram no navegador Chrome, do Google, especificamente na versão 80.0.3987.132 (64 bits). Os mesmos rótulos não apareceram quando tentamos testar a função no Firefox ou no Edge, até o final desta matéria. No aplicativo móvel, tudo também segue normalmente.

Prestando consultoria de checagem de fatos para a rede estão nomes como Reuters, Witness e pesquisadores da Universidade de Nova York. O Twitter acredita que manter as postagens no ar, com a etiqueta de fake news, faz parte do direito à liberdade de expressão, daí a ideia de mantê-los. Entretanto, a mesma premissa não se aplica a tuítes promovidos, já que estes constituem posts pagos e, consequentemente, pensados e planejados antes de sua publicação.

Fonte: Techcrunch

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