"Não comemorei ou me orgulhei de ter banido Trump do Twitter", diz Jack Dorsey

"Não comemorei ou me orgulhei de ter banido Trump do Twitter", diz Jack Dorsey

Por Rui Maciel | 14 de Janeiro de 2021 às 12h30
MarketWatch

Em uma série de tuítes, Jack Dorsey, cofundador e CEO do Twitter, defendeu o banimento de Donald Trump da rede social na última sexta-feira (8). Segundo o executivo, essa foi a medida certa para a plataforma que, no entanto, "falhou em promover uma conversa saudável".

Disse Dorsey:

"Não comemoro ou sinto orgulho por termos que banir @realDonaldTrump do Twitter, ou como chegamos aqui. Após um aviso claro de que tomaríamos essa ação, tomamos uma decisão com as melhores informações que tínhamos com base nas ameaças à segurança física dentro e fora do Twitter. Isso foi correto?

Acredito que essa foi a decisão certa para o Twitter. Enfrentamos uma circunstância extraordinária e insustentável, que nos obrigou a focar todas as nossas ações na segurança pública. Os danos offline resultantes da fala online são comprovadamente reais e o que impulsiona nossa política e aplicação acima de tudo.

Dito isso, ter que banir uma conta tem ramificações reais e significativas. Embora existam exceções claras e óbvias, acho que um banimento é uma falha nossa em promover uma conversa saudável. E um momento para refletirmos sobre nossas operações e o ambiente ao nosso redor.

Ter que realizar essas ações fragmenta a conversa pública. Banimentos nos dividem. Eles limitam o potencial de esclarecimento, redenção e aprendizado. E abre um precedente que considero perigoso: o poder que um indivíduo ou empresa tem sobre uma parte das conversas públicas globais.

A verificação e a responsabilidade sobre esse poder sempre foi o fato de que um serviço como o Twitter é uma pequena parte da grande conversa pública que acontece na Internet. Se as pessoas não concordarem com nossas regras e aplicação, elas podem simplesmente procurar outro serviço de Internet."

Autocrítica

Ainda em sua linha de tuítes, Dorsey afirmou que a sua decisão de banir Trump foi seguida por outras empresas, quando vários outros players fundamentais da internet também decidiram não hospedar ou divulgar o que eles consideraram perigoso. Ele disse ainda que não foi um movimento coordenado e que essas companhias tiraram suas próprias conclusões ou foram encorajadas pelas ações de outros.

O executivo disse ainda que esse é o momento de tanto o Twitter, como outras empresas de social media, examinarem criticamente as inconsistências de suas políticas e aplicações [de banimento]. "Precisamos ver como nosso serviço pode incentivar distrações e danos. Precisamos de mais transparência em nossas operações de moderação. Tudo isso não pode destruir uma Internet global livre e aberta".

Ele disse ainda que o momento atual pode ter exigido essa dinâmica (de banimento), mas, a longo prazo, atos assim serão destrutivos para "o nobre propósito e os ideais de uma internet aberta". E que "uma empresa que toma a decisão de se moderar é diferente de um governo que remove o acesso, mas a sensação é a mesma",

BlueSky e uma social media descentralizada

Ainda em sua thread, Dorsey defendeu um projeto de padrão descentralizado de mídia social, que leva o nome de BlueSky e no qual ele já havia falado em dezembro de 2019.

Estamos tentando fazer a nossa parte, financiando uma iniciativa em torno de um padrão aberto descentralizado para a mídia social. Nosso objetivo é ser um cliente desse padrão para a camada de conversação pública da Internet. Nós chamamos isso @bluesky

Para explicar melhor o que ele deseja com o BlueSky, Dorsey usou o Bitcoin como exemplo. "A razão pela qual tenho tanta paixão pelo Bitcoin é, em grande parte, devido ao modelo que ele traz: uma tecnologia de internet fundamental, que não é controlada ou influenciada por um único indivíduo ou entidade. Isso é o que a internet quer ser e, com o tempo, será.

No entanto, o CEO afirma que o projeto ainda está na fase inicial e que ainda levará um bom tempo para que ele seja construído. Ele disse que o Twitter ainda está na fase de entrevistar e contratar pessoas, procurando começar do zero ou contribuir com algo que já existe. "Não importa a direção final, faremos esse trabalho com total transparência pública"

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.