Facebook vai remover notícias falsas que incentivam violência

Por Felipe Demartini | 19 de Julho de 2018 às 12h24
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O Facebook anunciou nesta semana que vai começar a remover notícias falsas e outros conteúdos que incentivam a violência. As novas regras passam a valer nos próximos meses, com uma mudança nos termos de uso da plataforma que vai proibir explicitamente todo tipo de conteúdo que “contribua para danos físicos”.

Com a mudança, o Facebook passa a não fazer nada mais do que sua obrigação e altera a postura que vinha sendo adotada até agora. No passado, em declarações pelas quais foi duramente criticado, o CEO Mark Zuckerberg afirmou que apagar conteúdo falso ou voltado à desinformação não é a melhor maneira de garantir a liberdade de expressão na rede social. Sendo assim, o Facebook começou a aplicar medidas contra as fake news para informar seus utilizadores e, também, minar o alcance das publicações dentro da plataforma.

Para a empresa, entretanto, informações que incentivam atos de violência devem ser uma grande exceção à essa regra. Portanto, imagens, textos, vídeos e todo tipo de conteúdo voltado para ataques a outros usuários, personalidades e todo tipo de indivíduo serão removidos após análise, de forma a não transformar o Facebook em uma plataforma de motivação a crimes dessa categoria.

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Como sempre, parceiros externos dos campos da mídia, entretenimento e legislação, bem como organizações de defesa dos direitos humanos e autoridades, auxiliarão a rede social nessa empreitada. As tecnologias de reconhecimento da própria empresa também serão programadas para melhor identificarem esse tipo de publicação, bem como as contas responsáveis pelo compartilhamento constante de materiais dessa categoria.

Apesar de as novas medidas ainda não estarem sendo aplicadas na prática, algumas publicações já estão sendo removidas enquanto as ferramentas são incrementadas e as parcerias alinhadas. É o caso de uma série de boatos surgidos no Sri Lanka acusando muçulmanos de envenenarem a comida dada ou vendida a monges budistas.

Mesmo quando ações de remoção não forem tomadas, ressalta Zuckerberg, atitudes de redução de alcance ou indicações de falsidade ainda serão exibidas para os usuários. Caso uma publicação não seja considerada um gatilho para a violência, as mesmas diretrizes relacionadas a fake news "convencionais” devem ser aplicadas.

Em entrevista ao site Recode, o CEO do Facebook foi além, afirmando que a postura da empresa é baseada em dois pilares: dar voz às pessoas e, ao mesmo tempo, mantê-las seguras. É por isso que, na visão dele, não é de responsabilidade da rede social definir no que elas devem acreditar ou não, mas sim impedir que seus usuários planejem ou incentivem ataques ou violência.

Metendo os pés pelas mãos mais uma vez, Zuckerberg cita o exemplo de usuários que negam a existência do Holocausto como um tipo de conteúdo que não será deletado. Ele, pessoalmente, afirmou achar essa ideia extremamente ofensiva e indefensável, mas que a intenção do Facebook não é impedir que os usuários mintam, mas evite que informações falsas se tornem virais.

A disseminação de conteúdos que incentivam a violência também é um problema constante no WhatsApp, onde há bem menos controle devido aos protocolos de privacidade e criptografia. Na Índia, por exemplo, o governo já solicitou a ação do Facebook para conter a divulgação de notícias falsas que teriam levado a linchamentos e pelo menos 31 mortes devido a mentiras espalhadas pelo mensageiro, muitas vezes motivadas por ódio racial ou de classe.

Fonte: Recode, CNBC

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