Governo da Índia pede que WhatsApp controle o compartilhamento de fake news

Por Felipe Demartini | 04 de Julho de 2018 às 11h55

O governo da Índia voltou a pedir, agora oficialmente e diante do público, por uma atitude do WhatsApp quanto à disseminação de fake news pela plataforma. Desde o início de junho, 31 pessoas já foram mortas em diferentes regiões do país devido a linchamentos causados pelo compartilhamento de informações falsas pelo mensageiro.

Em sua maioria, as mensagens pedem que a população tome cuidado com gangues de sequestradores de crianças, praticantes de magia negra ou traficantes de órgãos. Na medida em que as mensagens trafegam de usuário a usuário, elas vão sendo transformadas e, muitas vezes, passam a conter identidade de cidadãos, por motivos pessoais, de preconceito ou ódio racial.

O compartilhamento em massa leva à histeria, principalmente quando se avalia as informações falsas exibidas nas mensagens. Em um caso, o alerta é para uma gangue de 500 pessoas disfarçadas como mendigos como forma de rastrear alvos e realizarem ataques, enquanto em outro, 400 sequestradores de crianças estariam agindo na região de Bangalore, no sul do país. Tais casos levaram ao assassinato de três pessoas inocentes, duas no primeiro caso e uma no segundo, todos por linchamento.

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Em comunicado, o ministério da tecnologia indiano afirmou que a disseminação de fake news é tão grave quanto os crimes que estão sendo realizados no país. O governo afirma já ter procurado a empresa diversas vezes para a realização de medidas para conter o problema, enquanto as autoridades buscam os responsáveis pela criação das mentiras e, também, pela inclusão das identidades de inocentes junto às mensagens. Pelo menos seis pessoas já teriam sido presas no país como parte desse trabalho.

Em resposta, o WhatsApp afirma estar bastante preocupado com a segurança de seus usuários, mas ao mesmo tempo, pondera que medidas contra a proliferação de fake news não devem entrar no caminho da liberdade de expressão. Ainda assim, afirma que fará o possível para conter o problema e que pretende trabalhar com as autoridades para conseguir fazer isso.

Além disso, a companhia citou a criação de um fundo para fomentar pesquisas de especialistas e institutos indianos relacionadas à análise de dados, com foco na disseminação de informação. A ideia é financiar estudos ligados à forma como os usuários lidam com as notícias e de que maneira as notícias, sejam elas fake ou não, trafegam pela plataforma, com até US$ 50 mil sendo entregues por projeto.

Ainda, a ideia é garantir a existência de programas de educação, de forma que os usuários não caiam tão facilmente nas divulgações falsas. Desde já, o WhatsApp deixa claro que nenhuma informação particular de seus utilizadores será compartilhada com os pesquisadores.

O programa de colaboração terá início no final do ano, com expectativa de que as primeiras ações relacionadas às pesquisas e descobertas sejam aplicadas no começo de 2019. Enquanto isso, o WhatsApp se comprometeu a continuar trabalhando para conter o alcance das fake news, não apenas na Índia, mas em todo o mundo.

Fonte: TechRadar, First Post

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