Facebook pagou empresas para transcrever áudios de seus usuários

Facebook pagou empresas para transcrever áudios de seus usuários

Por Nathan Vieira | 13 de Agosto de 2019 às 19h50
Reprodução

A empresa de Mark Zuckerberg tem enfrentado inúmeros problemas em torno da privacidade de seus usuários, situação que se estende desde o escândalo da Cambridge Analytica, o que gerou até um documentário na Netflix. E quando parece que as polêmicas amenizaram, um novo episódio surge. Dessa vez, a Bloomberg fez uma matéria apontando que o Facebook pagou centenas de contratados externos para transcrever clipes de áudio de usuários de seus serviços. As fontes pediram anonimato ao veículo norte-americano, por medo das consequências. Outras grandes empresas como a Google, a Apple e a Microsoft também começaram a ser criticadas recentemente por compartilhar os clipes de áudio do usuário com terceirizados.

O Facebook não divulgou aos usuários que terceiros podem revisar seus áudios. Isso levou alguns empreiteiros a sentir que seu trabalho é antiético, de acordo com as pessoas com conhecimento do assunto, e foi aí que a Bloomberg conseguiu suas fontes. Um dos únicos nomes que o veículo deu aos bois foi a TaskUs Inc, uma empresa de terceirização sediada em Santa Monica, na Califórnia, com unidades espalhadas por vários lugares do mundo. O Facebook é um dos maiores e mais importantes clientes da TaskUs, mas os funcionários não podem mencionar publicamente qual é o trabalho deles.

Em abril de 2018, Zuckerberg negou que recolhe áudio dos usuários para determinar o que as pessoas vêem em seu feeds de notícias. "Você está falando sobre essa teoria da conspiração que é passada e que ouvimos o que está acontecendo no seu microfone e usamos isso para anúncios. Não fazemos isso", disse Zuckerberg ao senador americano Gary Peters, diretamente no depoimento do Congresso.

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Mark Zuckerberg é o CEO do Facebook

Entretanto, o Facebook acabou confirmando que estava transcrevendo os áudios dos usuários, e disse que não vai mais fazer isso: "Assim como a Apple e a Google, paramos a análise humana do áudio há mais de uma semana", declarou a empresa. Foi dito, além disso, que os usuários afetados escolheram a opção no aplicativo Messenger do Facebook para ter seus clipes de voz transcritos. Os contratados estavam verificando se a inteligência artificial do Facebook interpretava corretamente as mensagens, que eram anonimizadas.

A política de uso de dados do Facebook não diz nada a respeito das gravações de áudio, e consta apenas que a rede social pode coletar “conteúdo, comunicações e outras informações que você fornecer”, e que os “sistemas processam automaticamente o conteúdo e as comunicações que você e outros fornecem para analisar o contexto e o que está contido neles”.

Fonte: Bloomberg via MS Power User

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