Facebook anuncia que manterá o cerco a conteúdos ligados ao Talibã em suas redes

Facebook anuncia que manterá o cerco a conteúdos ligados ao Talibã em suas redes

Por Alveni Lisboa | Editado por Douglas Ciriaco | 17 de Agosto de 2021 às 12h56
PhotoMix/PixaBay

O Facebook emitiu um comunicado em que afirma ter proibido conteúdos de apoio ao Talibã em todas as plataformas da empresa, o que inclui Instagram e WhatsApp. A decisão foi tomada em razão de a organização ser considerada como terrorista pela legislação dos Estados Unidos.

Com a medida, a maior rede social do mundo pretende frear a disseminação das mensagens favoráveis ao grupo, que usa as mídias sociais como trampolim para ganhar adeptos. A plataforma disse não se envolver em decisões acerca da legitimidade de governos, mas respeita a autoridade da comunidade internacional. “O Talibã é classificado como uma organização terrorista pela lei dos EUA e o banimos de nossos serviços de acordo com nossas políticas de Organização Perigosa”, disse um porta-voz da empresa ao The Independent.

O grupo Talibã está banido do Facebook, Instagram e WhatsApp (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Essa não seria uma decisão nova do Facebook, conforme o mesmo porta-voz, afinal o grupo já era banido há pelo menos 10 anos. A mídia social observou que há uma equipe dedicada no Afeganistão, falante dos dialetos dari e pashto e com conhecimento da política local, para analisar potenciais mensagens de apoio aos extremistas. Se eles detectarem elogios, apoio ou representatividade, as contas serão imediatamente removidas.

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O grupo voltou ao noticiário após tomar a capital Cabul no último domingo e declarou o país um emirado islâmico, após a fuga do então presidente Ashraf Ghani para o Tajiquistão. A retomada do poder pelo Talibã veio após a retirada das tropas estadunidenses do solo afegão no mês passado, por ordem do presidente Joe Biden, após quase 20 anos da invasão iniciada pelo ex-presidente George W. Bush.

A volta do Talibã coloca em xeque todas as conquistas sociais e de liberdade de expressão do povo afegão nos últimos tempos. O grupo é conhecido pelo radicalismo religioso a partir de uma interpretação deturpada do Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos, e pela extrema violência, em especial contra mulheres. Quando os talibãs governaram o país pela primeira vez, de 1996 até 2001, mulheres eram proibidas de estudar, trabalhar ou sair nas ruas sem cobrir todo o corpo — quem descumpria as rígidas regras isso era chicoteado, tinha partes do corpo arrancadas ou era morto.

YouTube e Twitter seguem inertes

Enquanto isso, o YouTube, pertencente ao Google, disse que depende de órgãos do governo dos EUA para definir o Talibã como uma Foreign Terrorist Organization (FTO) — Organização Terrorista Estrangeira, em tradução livre — para orientar a aplicação de sanções na plataforma quanto ao compartilhamento de vídeo por supostos grupos criminosos violentos.

O YouTube justificou a inércia com base na lista do Departamento de Estado dos EUA de FTOs, na qual o Talibã não é inscrito. O grupo é considerado apenas um Specially Designated Global Terrorist, categoria abaixo e que não representaria maior risco, segundo a agência Reuters.

Já o Twitter disse que suas políticas proíbem divulgação de organizações violentas e discursos de ódio, mas, também conforme a Reuters, não respondeu se pretende tomar alguma atitude quanto ao grupo. Lideranças do Talibã contam com centenas de milhares de seguidores na rede, além de terem usado a plataforma para celebrar a reconquista do país.

Fonte: The Independent, Reuters  

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