Com ajuda do Twitter, ex-refugiada reencontra homem que lhe ajudou aos 5 anos

Por Wagner Wakka | 16 de Agosto de 2019 às 13h41
pixabay

Mevan Babakar era só uma menina de cinco anos de idade na década de 1990. Contudo, ela já carregava um peso nas costas: a de ter fugido de seu país, o Iraque, e ido para a Turquia. Naquela época, o governo de Sadam Hussein caçava os curdos da região e a família de Mevam era um alvo em potencial.

O grupo subiu do Oriente Médio para Ásia e Europa e se transformou em quase nômades pelo Azerbaijão e Rússia, chegando a se estabelecer na Holanda. Foi lá que ela conheceu um homem que se tonou um de seus heróis.

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A menina não tinha nada em sua jornada, até que o senhor lhe ofereceu uma bicicleta, para alegrar o coração pesado da garota. “Meu coração de menina de cinco anos explodiu em alegria”, ela conta em postagem no Twitter.

A ideia de contar esta história na rede social teve um objetivo maior. Mevan queria saber quem era o moço que, de bom grado, lhe havia dado um bem tão precioso para a mente daquela refugiada que se mantinha pueril apesar dos pesares. Da mesma forma como surgiu, ele desapareceu da história da pequena Mevan.

“Oi internet, este é um tiro no escuro, mas eu fui uma refugiada por cinco anos na década de 1990 e esse homem, que trabalhava em um campo de refugiados perto de Zwolle na Holanda, cheio de bondade em seu coração, me trouxe uma bicicleta [...] Eu só quero saber seu nome. Me ajuda?”

A história de Maven cativou muita gente e seu tweet ganhou mais e mais destaque na rede social. Até que grandes veículos, como o New York Times, foram atrás da menina para contar essa história e buscar pelo paradeiro do homem da bicicleta.

Em 13 de agosto, um dia depois de Maven publicar seu tweet pedindo ajuda, ela encontrou seu herói. O moço é um rapaz de barba branca, de poucos sorrisos, chamado Egbert.

“Ele tem ajudado refugiados desde a década de 1990. Ele ficou tão feliz em me ver. Ele ficou orgulhoso em me ver uma mulher forte e corajosa. Ele disse que este era o desejo dele para mim quando eu era pequena. Ele cria orquídeas. Ele tem uma linda família. Ele disse que sente como se nunca tivesse me deixado”, contou a menina.

Ela continua em outra publicação. “Ele achou que aquela bicicleta era um gesto muito pequeno para criar todo esse barulho”, referindo-se às notícias. “Ele ficou realmente feliz que ela foi a chave que nos uniu novamente”.

A descrição de Maven mostra como aquilo trouxe de volta toda a sua memória infantil. Maven escreve em aliterações, repetindo a palavra “ele”, em todo começo de frase. A construção é típica da fala de uma criança, ansiosa para contar uma história que acabara de ouvir. Quem fala neste tweet não é a mulher, mas a corajosa menina de cinco anos novamente.

O nome completo do senhor não foi revelado a pedido dele mesmo. Ela ainda publicou uma nova foto, no dia 15, com seu querido herói de infância. “Uma última foto, com um sorriso raro”, brinca a menina, ao perceber que Egbert nunca apareceu sorrindo nas fotos.

O relato ajudou a trazer outros casos de crianças que também foram brindadas com seus amigos particulares de infância quando eram refugiados em outros países. Uma delas é Gordana Govic, que foi para o Canadá fugindo de seu país (ela não informa a origem). No natal do ano em que se refugiou no país norte-americano, ela disse que não tinha nenhum presente, até que um moço chamado Charlie trouxe alguns para ela.

Apesar de ser um pequeno gesto, no imaginário de Egbert, a beleza das ações mora nos detalhes e é preciso, vez ou outra, que lembremos disso. Essa história nos rememora que a tecnologia é feita por pessoas e, como tal, também tem o objetivo de uni-las.

Fonte: Twitter

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