Clubhouse no Android? Será preciso esperar "alguns meses", afirma cofundador

Por Igor Almenara | 23 de Março de 2021 às 08h50
Unsplash / Dmitry Mashkin

No evento semanal do Clubhouse, o Townhall, o cofundador Paul Davison afirmou que a versão do aplicativo para Android pode demorar “alguns meses” para ser lançada. Desde janeiro deste ano, a companhia afirma trabalhar na sua versão para o sistema operacional do Google e até realizou contratações recentes de programadores especializados na plataforma, mas o processo de adaptação levará mais tempo do que o esperado pela comunidade.

Essa informação é um duro golpe contra os usuários de Android que tanto aguardavam a chegada do Clubhouse na Play Store. Embora a empresa tenha reforçado que garantir acesso ao máximo de pessoas possível seja de extrema importância para o propósito do aplicativo, essa prioridade não pode não se refletir no tempo de desenvolvimento, que demanda testes ostensivos, avaliações e, no fim, a distribuição.

Twitter Spaces já está disponível para Android. (Imagem: Divulgação/Twitter)

De acordo com Davison, a expansão para mais mercados é um “esforço que deve ser levado em ritmo lento”, principalmente quando se trata da inclusão de mais milhões de usuários. Ele comenta que a experiência de descobrimento pode ser significativamente impactada com o crescimento desordenado do aplicativo.

Antes que seja lançado no Android, o Clubhouse precisa reparar esses potenciais problemas. Por isso, precisa retrabalhar seu feed de “Atividade” (“Activity”, em inglês), adicionar ferramentas para garantir maior controle sobre notificações e mais recursos de personalização baseados nas preferências do usuário, como uma aba de salas sugeridas disposta no primeiro acesso ao aplicativo.

Um vazio problemático

A ausência do Clubhouse no Android já levou problemas para as mãos do Google e da própria companhia. Graças as regras mais flexíveis na loja do Google, vários desenvolvedores aproveitaram o vácuo para disponibilizar suas alternativas — por vezes, maliciosas — na Play Store.

Ao pesquisar por Clubhouse na Play Store, a quantidade de resultados espanta. Embora o aplicativo não esteja oficialmente disponível para Android, há dezenas de opções que usam o mesmo nome por lá, o que inclui uma opção com título idêntico criada por uma companhia chamada Clubhouse Software Inc. — a plataforma de Paul Davison é propriedade da Alpha Exploration.

Aparentemente, por uma fiscalização pouco efcaz, as opções que assumem o nome do popular aplicativo exclusivo de iOS nem sempre são seguras. Como apontou a empresa especializada em segurança ESET, há apps maliciosos que assumem o mesmo nome e até se apropriaram do link oficial da plataforma para atrair download de usuários desavisados. Sobre eles, Davison alertou que “podem ser perigosos”.

Fim do sistema de convites

Na mesma linha, Davison comenta que a plataforma logo renunciará ao sistema de convites e estará “aberta para todos”, mas restringiu a janela de lançamento para “os próximos meses”. Da mesma forma, o executivo faz um discurso vago sobre a necessidade de incluir mais pessoas no aplicativo, porque há “vários criadores incríveis fora do Clubhouse, que estão acumulando audiência em outros lugares”.

“É muito importante abrir para todo mundo. Android será muito importante; outras regiões obviamente são muito importantes”, comentou.

Nesse meio tempo, grandes competidores aproveitam a ausência do Clubhouse e tomaram seu espaço no Android. O Telegram já inaugurou suas salas de chat integradas aos grupos do mensageiro; o Twitter Spaces, por sua vez, ampliou o programa de testes para todos os usuários, num desenvolvimento corrido para conquistar o pioneirismo no sistema do Google.

O Facebook e o Instagram também correm atrás de suas soluções próprias. O códigos do da versão de testes do app Facebook já apresenta sinais das salas de chat, embora ainda não se saiba de datas para a sua inauguração oficial.

Fonte: TechCrunch, ESET Ireland

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