CEO da Cambridge Analytica é afastado por aparecer em gravação sugerindo suborno

Por Wagner Wakka | 20 de Março de 2018 às 18h00
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O caso de "vazamentos" de informações do Facebook ganha mais um episódio. O CEO da Cambridge Analytica, empresa acusada de usar informações da rede social sem autorização de usuários, foi suspenso do cargo hoje. Alexander Nix foi pego em gravação escondida feita pelo Channel 4 News falando sobre utilização de suborno, espionagem, identidades falsas e profissionais do sexo para conseguir informações em campanhas políticas pelo mundo.  

“Na visão do Conselho, os recentes comentários do Sr. Nix gravados secretamente pelo Channel 4 e outra alegações não representam os valores e operações da empresa e a sua suspensão reflete a seriedade com que nós vemos esta violação. Nós convidamos Dr. Alexander Tayler para ser o CEO interino enquanto uma investigação independente se inicia para analisar estes comentários e alegações”, aponta comunicado divulgado no site da empresa.

Nix é visto no vídeo em comentários afirmando que a campanha poderia “mandar algumas garotas para os arredores das casas dos candidatos” e ainda sugere que sejam ucranianas já que “são muito bonitas, acho que funcionam bem para o trabalho”.

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O CEO afastado também sugeriu que “oferecer uma boa quantia em dinheiro para um candidato, para financiar a campanha dele em troca de espaço, por exemplo". Ele teria dito: "Nós teremos tudo gravado, vamos esconder o rosto da outra pessoa e postar isso na internet”.

Entendendo o escândalo que envolve o Facebook

Além da gravação, a empresa, sob liderança de Nix, já é acusada de usar métodos ilegais para promover campanhas publicitárias e políticas. No final de semana, uma reportagem do The Guardian denunciou que a empresa usava um questionário para conseguir acesso a dados de mais de 50 milhões de usuários do Facebook sem consentimento.

O Facebook chegou a demitir o funcionário que “vazou” as informações para o jornal e ainda contratou uma auditoria forense externa para colaborar com a análise do caso. A Cambridge Analytica já havia confirmado que estava disposta a abrir os dados para investigação.

Além da auditoria, a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (Federal Trade Commission ou FTC, no original em inglês) decidiu investigar o Facebook. O objetivo do FTC é descobrir se a empresa de Mark Zuckerberg quebrou um decreto de consentimento assinado em 2011 a respeito da forma como ela trataria as informações pessoais dos internautas.

Outro funcionário do Facebook que deve largar o cargo é Alex Stamo, diretor de segurança da rede social. Stamos era um dos principais envolvidos na investigação interna do Facebook em relação ao uso de sua plataforma para disseminar fake news e manipular a opinião pública durante as eleições americanas de 2016. A imprensa norte-americana tem divulgado que, por divergências internas, Stamo teria pedido para sair da empresa, mas os foi persuadido a ficar até agosto por conta dos problemas atuais. A saída imediata poderia piorar ainda mais a imagem do Facebook.

Desde o início do escândalo, o Facebook vem sentindo o peso econômico do problema. Nas últimas 48 horas, o CEO da empresa, Mark Zuckerberg, viu seu patrimônio encolher mais de 9 bilhões de dólares com a queda no preço de 75 milhões ações na bolsa, totalizando um prejuízo de 1,7 bilhões de dólares para acionistas.

Fonte: Channel 4

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