Acionista pede investigação sobre “poder absoluto” de Zuckerberg no Facebook

Por Felipe Demartini | 05 de Junho de 2019 às 11h47
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A guerra entre o Facebook e seus acionistas parece estar esquentando cada vez mais. Scott Stringer, acionista que controla US$ 785 milhões em cotas da rede social, pediu a abertura de uma investigação sobre a governança da companhia e o poder absoluto exercido sobre ela por seu fundador e CEO, Mark Zuckerberg.

O pedido vem após a recusa dele e de outros diretores quanto a uma proposta aprovada por 68% dos investidores, que pediam a saída de Zuckerberg do posto e a alteração na estrutura de classes das ações da rede social. Hoje, o Facebook conta com papéis de dois tipos: os de Classe B, que são vendidos a todos por meio da Bolsa de Valores e outras negociações; e os de Classe A, exclusivos do fundador e membros do círculo interno da companhia, possuindo o dobro de poder de voto e, basicamente, dando a eles plenos poderes sobre as decisões gerenciais.

Foi isso que levou Stringer a escrever uma carta a Susan Desmond-Hellman, diretora independente do Facebook, antes mesmo que a decisão vetada, obtida na semana passada, saísse. No texto, entregue a ela no dia 15 de abril e vazado agora na imprensa norte-americana, o pedido é de “ação decisiva” para mudança das estruturas de governança do Facebook, além de inquéritos sobre como esse controle restrito sobre a empresa levou às falhas e problemas enfrentados por ela hoje, fruto de uma cultura corporativa problemática.

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Apesar de ter enviado o texto a Desmond-Hellman, ele pede que a investigação seja conduzida por alguém de fora da empresa, já que nem mesmo ela teria a objetividade necessária para fazer isso, uma vez que foi apontada pelo próprio Zuckerberg para o cargo. Ele sugere o envolvimento da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos ou a contratação de um especialista privado com passagem por ela.

Na carta, o acionista ainda afirma que os investidores do Facebook estão horrorizados com a sequência de escândalos envolvendo manipulação política, discurso de ódio e, principalmente, o vazamento de dados pelas atividades da Cambridge Analytica. Para ele, a empresa ainda falha em assumir as responsabilidades inerentes a seu alcance e influência no mundo, com isso sendo um reflexo direto da presença de Zuckerberg no topo, algo que “precisa acabar”.

Agora, Stringer espera que outros acionistas se unam a seu pedido e também enviem cartas à diretora independente da rede social. Caso contrário, a única saída seria uma ação legal como a que pediu a entrega de documentos sobre o caso Cambridge Analytica a investidores. No processo, determinado como válido pela Justiça dos EUA, os acionistas indicam que a rede social pode ter quebrado acordos feitos com o governo federal sobre a privacidade de seus usuários e a aplicação de medidas para protegê-los.

Em resposta ao pedido de Stringer, especificamente, o Facebook apontou mudanças gerenciais recentes como as que aumentaram o poder de seu comitê de auditoria e as contratações de novos executivos para lidarem com governança e relações com órgãos federais. No pronunciamento, entretanto, a empresa não dá a entender que os pedidos do acionista serão atendidos, algo que, por si, já pode acabar provando que ele tem razão.

Fonte: Business Insider

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