5 artifícios de design que nos deixam viciados em celulares

Por Redação | 03 de Julho de 2018 às 19h06
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Um usuário típico no Brasil gasta aproximadamente cinco horas diárias cutucando o seu celular. Mas a tendência não é exclusiva do território nacional: aproximadamente 81% dos estadunidenses admitem olhar para o smartphone durante um jantar. Sim, isso é muito mais tempo do que nossos antepassados dispendiam com seus tijolos monocromáticos – e há um motivo para isso.

Em uma área de pesquisa convenientemente denominada de “design do vício”, alguns dos profissionais mais bem pagos do setor trabalham incansavelmente para nos manter grudados aos nossos celulares e tablets. Ainda que campanhas recentes de empresas como Facebook e Google tenham voltado os olhos para os períodos cada vez maiores que são consumidos por esses dispositivos, fato é que foram companhias como essas que lançaram mão de “truques” para manter seus usuários conectados pelo máximo de tempo possível.

Em artigo publicado para a revista Popular Science, a jornalista Eleanor Cummins elencou alguns dos principais artifícios utilizados por sites, jogos e aplicativos para deixar nossos cérebros literalmente viciados.

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1. Pausas dramáticas

Embora os longos períodos de carregamento se mantenham ainda hoje como um rescaldo da saudosa internet discada, fato é que esse tempo hoje nem sempre é gasto pelo mesmo motivo. “Se a única prioridade do Twitter fosse a facilidade de uso, a lista dos usuários carregaria automaticamente”, apontou Cummins, referindo-se ao passarinho azul que rodopia pela tela antes que os tweets sejam exibidos

Ocorre é que esse delay em muitos casos é proposital mesmo. Ao manter o usuário esperando, cria-se um sentido de antecipação – o que, assim como uma máquina de caça-níqueis, acaba por liberar doses de dopamina no cérebro, um neurotransmissor sumamente importante associado à sensação de prazer. Algo muito semelhante ocorre após o consumo de nicotina ou heroína, por exemplo.

2. Rolagem infinita

Não importa por quanto tempo você deslize o dedo pela tela, sempre haverá mais conteúdos – a menos que se leve em conta a função recentemente implementada pelo Instagram. Novamente, trata-se de um funcionamento análogo ao de uma máquina de cassino, em que se fortalece a sensação de antecipação.

E a rolagem infinita acabou condenada pelo seu próprio inventor. “O que eu pensei que fosse uma boa experiência fez, na verdade, com que milhões de horas humanas fossem perdidas”, afirmou o designer Aza Raskin ao Pop Science.

3. Recompensas variadas

De nada adiantaria passar horas praticamente infindáveis com o celular na mão se não houvesse recompensas eventuais. Trata-se de mais um truque, naturalmente. No caso do Facebook, essa premiação vem na forma de números crescentes de curtidas em publicações ou em páginas. No Twitter, um bom dia é brindado por conteúdos realmente relevantes para o usuário – que provavelmente passará a bola adiante, retuitando.

E o mais insidioso: é inevitável. Mesmo que você queira acessar o seu Facebook brevemente para enviar uma mensagem a alguém, as forma como a rede é projetada garante uma chance considerável de “pegá-lo no pulo”.

4. É preciso completar!

Eis outra tendência humana: maioria de nós precisa terminar algo que começou. “Enquanto algumas pessoas são capazes de deixar 20 chamadas perdidas e mais de 2 mil emails sem resposta, os dados mostram que lembretes de atividades inacabadas são uma boa forma de fazer com que as pessoas interajam com um app ou com um jogo”, explica Cummins. Nesse departamento, vale destaque para as notificações do Instagram ou ainda para o senso de socialização promovido pelo onipresente Farmville há algum tempo.

5. A era do autoplay

Boa parte dos sites e aplicativos destinados ao entretenimento e/ou à formação de grupos sociais nos deixa em um estado de óbvia passividade. Caso você comece a assistir a vídeos no YouTube, por exemplo, ou a clicar nas “Stories” do Instagram, um fluxo contínuo de atualizações – novos vídeos ou novas histórias – se encarregará da programação durante os próximo minutos (ou horas). E quebrar esse ciclo nem sempre é tarefa fácil. Trata-se, afinal, de um derivado da rolagem infinita.

Fonte: Popular Science

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