X-Men acusam Rússia de crimes de guerra em HQ escrita bem antes da invasão
Por Dácio Castelo Branco • Editado por Claudio Yuge |

O mundo está passando por uma situação sensível com a guerra entre a Rússia e Ucrânia, e pelo jeito não são só boa parte das nações ocidentais que estão com problemas com o estado governada por Vladimir Putin: Krakoa, a ilha mutante fictícia que é a casa atual dos X-Men, também está tendo problemas diplomáticos com o país em uma edição recente.
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Em X-Force #28, Charles Xavier, junto do Fera, em meio ao Conselho Silencioso de Krakoa, faz graves acusações contra a Rússia. Segundo o telepata, a nação russa teria cometido crimes de guerra contra o estado mutante através do Ômega Vermelho, um homo superior que está quebrando todas as leis da ilha, principalmente no que tem relação com não assassinar humanos.
A acusação, embora combine bem com o momento que o mundo está passando, não é uma referência aos eventos no leste europeu, afinal embora a revista tenha sido lançada nesta quarta-feira (6), ela já havia sido escrita e ilustrada meses antes. O que ela demonstra, na verdade, é uma abordagem contrária a Rússia bem presente em muitas mídia estadunidenses.
A Marvel mesmo conta com vários exemplos, como o filme da Viúva Negra do ano passado, em que a Rússia, ou pelo menos agentes do estado russo, eram os antagonistas. O mesmo vai se mantendo em várias outras franquias fora dos super-heróis: afinal, quantos Missão: Impossível, de Tom Cruise, não tem russos como vilões?
E isso, na verdade, é algo que acontece há décadas, como um reflexo ainda da Guerra Fria. Para se ter ideia, nas primeiras histórias de alguns heróis da Marvel, como o Homem-Aranha, era comum que os vilões tivessem ligações com os países da Cortina de Ferro (bloco socialista europeu, que a Rússia, como parte da União Soviética, fazia parte) — e em um caso mais extremo, fazer os EUA vencerem a corrida espacial dos anos 60 foi o motivo que levou o Quarteto Fantástico a partir na jornada cósmica que concedeu a família Richards seus poderes.
Ao mesmo tempo, os X-Men, em especial no longo período sobre a batuta de Chris Claremont, sempre foram um dos títulos em que essas manifestações menos ocorriam - a equipe até mesmo contava com um membro russo, Colossus. Então ver esses pontos narrativos se esticando também para os títulos mutantes se torna um curioso caso de ver como a mídia estadunidense enxerga ainda o país russo.
E no caso específico de X-Force #27, a situação fica mais curiosa, já que as acusações fictícias da Rússia ganham tons verídicos pelo contexto mundial atual, mesmo a edição tendo sido escrita bem antes da explosão da guerra no leste europeu. No fim, mesmo por acidente, a vida escreve mesmo a arte, não é mesmo?
Fonte: Bleeding Cool