Conheça o Massacre de Mutantes, o 1º grande crossover dos X-Men nos quadrinhos

Conheça o Massacre de Mutantes, o 1º grande crossover dos X-Men nos quadrinhos

Por Claudio Yuge | 23 de Maio de 2021 às 11h00
Marvel Comics

Hoje em dia os chamados crossovers, que são as histórias que reúnem diversas franquias (da mesma empresa ou não) em uma história conjunta, são bastante comuns nos quadrinhos — basicamente, todo ano temos pelo menos dois em cada uma das maiores editoras norte-americanas, Marvel Comics e DC Comics. Mas nem sempre foi assim, e os anos 1980 podem ser chamado da “era dourada” desses eventos, com os primeiros pipocando nas principais frentes das companhias.

Encontros entre heróis em uma mesma trama já haviam acontecido nas décadas anteriores, mas só foi a partir de Guerras Secretas, na Marvel, e Crise nas Infinitas Terras, na DC, ambas de meados dos anos 1980, é que a coisa toda começou a ser levada a sério. A partir daí, as editoras começaram a organizar melhor o calendário e as próprias tramas paralelas, para que um grande número de personagens pudesse se encontrar de maneira cada vez mais interessante e sincronizada.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Nesse período, os X-Men vinham em uma escalada de sucesso, que veria seu auge nos anos 1990, consolidado com crossovers como Agenda de Extermínio, Era do Apocalipse, Inferno, Atrações Fatais; e outros mais adiante, como Vingadores vs X-Men, Dinastia M, e por aí vai. E tudo começou com Massacre de Mutantes, uma saga que até hoje nunca é esquecida pelos escritores e por fãs veteranos — mas, nem sempre é lembrada pela nova safra de leitores.

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Então, para todos recordarmos de onde tudo começou nos crossovers mutantes, vamos destrinchar como aconteceu o primeiro dos grandes eventos dos X-Men nos quadrinhos.

Tudo começou em três títulos mutantes

A história dos crossovers dos X-Men tem início em 1986, quando Massacre de Mutantes foi publicado entre os três títulos mensais dos mutantes na Marvel: Uncanny X-Men, X-Factor e New Mutants — mal sabiam os fãs que esse número de publicações seria multiplicado na ordem de dois dígitos nos anos 1990. Uma das curiosidades que chamou a atenção na época é que a saga também pipocou em outras revistas que não costumavam cruzar com os Filhos do Átomo, a exemplo de Thor, Demolidor e Quarteto Futuro (a equipe mirim que tinha Franklyn Richards como protagonista).

A trama principal foi escrita por Chris Claremont e o casal Louise e Walter Simonson, com desenhos do próprio Walter Simonson e Sal Buscema. A grande estrela nos traços era John Romita Jr., que na época se desgrudava da sombra do lendário pai para mostrar um estilo próprio. Se você comparar o que Romita Jr. faz hoje e o que ele fazia antes de Massacre de Mutantes, vai notar que foi com os X-Men é que ele começou a desenvolver o estilo de linhas e composição de formas geométricas que ele apresenta desde sua fase madura no Demolidor e no Homem-Aranha.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Pois bem, diferente de Guerras Secretas, que chegou meio de repente, sem nenhum tipo de preparação nas revistas individuais dos personagens que participaram do evento, Massacre de Mutantes contou com uma trama crescendo ao fundo de cada título mutante, especialmente em Uncanny X-Men. Foi nesse gibi que os Morlocks, uma sociedade subterrânea liderada por Callisto, foi apresentada. O enredo, que já até foi adaptado na séria animada noventista dos X-Men, mostra Tempestade vencendo o desafio de Callisto e se tornando a nova líder da comunidade.

Ali, a Marvel ampliou o cantinho dos mutantes, mostrando os menos abastados e os que não conseguem nem mesmo se passar por humanos devido às suas formas físicas. Além disso, promoveu um “lado social” dos X-Men, que também passaram a abraçar melhor os homo superior espalhados pelo mundo.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Enquanto isso acontecia, os cinco X-Men originais brigaram com o resto da equipe quando o Professor X escalou Magneto para liderar a equipe em seu lugar. Eles, então, fundaram o X-Factor, um grupo ativista antimutante que, na verdade, era uma fachada para que a equipe pudesse encontrar e resgatar os homo superior em dificuldade e os escondesse em segurança. Na outra ponta, a Escola Xavier para Jovens Superdotados passou a matricular membros adolescentes, os Novos Mutantes, que seriam a nova geração de X-Men.

O episódio foi realmente um massacre

Em Uncanny X-Men #210 e X-Factor #9, um novo grupo de vilões chamado de Carrascos apareceu deixando um rastro de sangue e destruição nos esgotos de Manhattan. Entre os membros estava o fortão Arrasa-Quarteirão, o atirador de elite Caçador de Escalpos, o afiado Maré Selvagem e seus shurikens, o popular Dentes-de-Sabre, entre outros assassinos em busca de recompensas. Eles haviam sido enviados por uma figura misteriosa para dizimar os Morlocks.

Depois da investigação inicial, a batalha final entre os X-Men e os Morlocks foi brutal, e deixou consequências que duraram décadas e ecoam até os dias de hoje. Além de dezenas de mutantes mortos, os próprios Filhos do Átomo sofreram baixas dolorosas. O Anjo foi espancado e teve suas asas perfuradas por arpões quando ele foi “crucificado” em uma parede. Mais tarde, isso o levou a um caminho sombrio e o fez deixar a equipe e se juntar a Apocalipse, como o Cavaleiro da Morte Arcanjo, com asas metálicas cortantes.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

O Noturno sofreu um grave ferimento e passou décadas sem conseguir se teleportar como antes. Colossus também foi levado ao limite e levou um tempo até voltar à forma humana, pois seus ferimentos na pele de aço o levariam à morte se ele retornasse ao normal. E Kitty Pride ficou permanentemente intangível por um bom tempo. Muitos Morlocks e Carrascos morreram e, até hoje, é o capítulo mais sanguinolento da história dos X-Men. E foi ali que Wolverine e Dentes-de-Sabre começaram uma grande rivalidade.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Como bônus, tivemos a participação de Thor, que resgata o Anjo com vida; do Quarteto Futuro, que também ajudou a conter os estragos; e do Demolidor, que enfrenta o Dentes-de-Sabre logo após os eventos de Massacre de Mutantes. Tudo isso aconteceu em 1986, nas revistas Uncanny X-Men #211 a 213, X-Factor #10 e 11 e New Mutants #46. As tramas paralelas foram apresentadas em Power Pack #27, Thor #373 e 374 e Daredevil #238. Por aqui, saiu nos formatinhos fasciculados da Editora Abril alguns anos depois e em um encadernado especial da Panini, já nos anos 2010.

Legado do Massacre de Mutantes

Além das consequências comentadas acima, o resultado do Massacre dos Mutantes nos levou à fase mais popular dos mutantes, a de Chris Claremont e Jim Lee, já no final dos anos 1980 e início dos 1990. Mais tarde, o verdadeiro mentor que mandou os Carrascos assassinarem os Morlock é revelado como sendo o Senhor Sinistro. E Gambit, que tinha em torno de si uma aura de mistério sobre suas origens, confessa posteriormente que ele foi o encarregado de reunir os Carrascos, a mando do Senhor Sinistro.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Os Morlocks voltariam a se reunir, de uma forma mais sombria, sob a liderança de Masque, na saga Inferno. E, nas décadas seguintes, muitas das interações e dos status dos personagens mais atingidos, como Colossus, Kitty Pride, Noturno e Anjo, volta e meia eram influenciados pelo ocorrido no passado durante o Massacre de Mutantes.

Em termos editoriais, o que os autores fizeram seria inconcebível atualmente. Na época, os executivos ainda não tinham visto todo o potencial dos crossovers, então, Massacre de Mutantes teve uma direção experimental para o período. Isso porque as revistas participantes não precisavam exatamente serem lidas em sequência para saber sobre a trama. Ou seja, se você apenas seguisse X-Factor ou Thor, teria uma história completa em cada edição só com a participação no evento, mas sem a necessidade de leitura do restante para continuar curtindo o título no mês seguinte.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

"Em parte, o que estávamos tentando fazer não era criar uma história a conta-gotas, em que você tinha que ir de grão em grão até o final do enredo. O que queríamos, ao invés disso, era deixar várias histórias separadas e entrelaçá-las de tal forma que, no final, formassem um todo coerente, mesmo se desenrolando e seguindo em suas próprias direções”, disse Walt Simonson, em entrevista anos depois da publicação original.

Isso seria impensável nos dias de hoje, já que os crossovers passaram a exigir a leitura obrigatória de uma série principal e ainda sugerir fortemente a compra das histórias paralelas. E, embora as editoras ainda usem esses encontros como “caça-níqueis”, Massacre de Mutantes ainda é referência de como um evento desses pode realmente marcar época e causar mudanças drásticas, que possam ser exploradas anos a fio.

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