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Testamos o Samsung Galaxy XR: um pedacinho experimental do futuro

Por  • Editado por Léo Müller | 

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Julio Mesquita/Canaltech
Julio Mesquita/Canaltech

Usar o Galaxy XR me deu aquela sensação clássica de estar vivendo “no futuro”, mas um futuro que claramente não atingiu todo o seu potencial. Desde o primeiro momento, o impacto visual e a proposta me impressionaram: telas gigantes flutuando na sua frente, múltiplos apps abertos ao mesmo tempo e a sensação de que você está dentro de um computador espacial. 

Só que, quanto mais eu usava o aparelho da Samsung, essa magia começava a dividir espaço com limitações bem reais. A experiência é fascinante, mas também exige paciência. Em certos momentos, o Galaxy XR parece revolucionário, enquanto em outros me lembrava constantemente que ainda estamos na primeira geração de algo muito maior.

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O que mais impressiona no uso diário?

O maior acerto do Galaxy XR está na combinação entre hardware leve e experiência visual. O headset é consideravelmente mais confortável que rivais diretos, permitindo sessões mais longas sem aquele cansaço imediato comum em dispositivos desse tipo.

Quando você entra no ambiente virtual, ele entrega. As telas micro-OLED são nítidas, coloridas e realmente imersivas, seja para assistir a vídeos, jogar ou simplesmente navegar por apps.

Outro ponto que chama atenção é o uso do Android XR. Diferente de outros dispositivos que ainda sofrem com falta de aplicativos, aqui você já entra em um ecossistema relativamente completo.

Dá para usar YouTube, Netflix e vários apps do dia a dia sem grandes adaptações, o que torna o headset mais útil do que experimental (ao menos no básico).

Também há um diferencial interessante: a integração com IA. O Gemini Live funciona quase como um assistente contextual, capaz de reconhecer o que você está vendo e interagir com isso — algo que, quando funciona bem, parece coisa de ficção científica.

Quando tudo funciona, parece o futuro

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Nos melhores momentos, o Galaxy XR entrega exatamente o que promete. Trabalhar com múltiplas telas virtuais, assistir conteúdos em uma “tela gigante” ou navegar em fotos imersivas cria uma experiência difícil de replicar em qualquer outro dispositivo.

Ele também funciona muito bem como uma extensão do ecossistema Samsung e Android. Quando integrado a outros dispositivos, a transição entre tarefas fica mais natural, menos como um gadget isolado e mais como parte de um sistema maior.

Essa sensação de continuidade é um dos pontos mais fortes do produto.

Experiência ainda é inconsistente

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O problema é que essa fluidez não se mantém o tempo todo. Em vários momentos, o Galaxy XR quebra a imersão com falhas que não deveriam estar presentes em um produto desse preço.

O rastreamento de olhos e mãos, por exemplo, funciona, mas não com a precisão que você espera. Pequenos erros na leitura de gestos ou seleção de elementos acabam tornando a navegação menos natural e, às vezes, frustrante.

O desempenho também oscila. Travamentos ocasionais, apps que fecham sozinhos e pequenos bugs aparecem com frequência suficiente para incomodar.

Além disso, notei detalhes que impactaram diretamente o uso prolongado: senti o headset esquentar e acionar ventoinhas audíveis. Percebi que o encaixe no rosto nem sempre é confortável, causando pressão na minha testa em sessões mais longas. A bateria também limitou o uso contínuo.

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Esses fatores fazem com que, mesmo sendo tecnicamente impressionante, o uso prolongado ainda não seja totalmente natural.

Jogos e produtividade: potencial alto, execução irregular

Para jogos e experiências imersivas, o Galaxy XR mostra potencial, especialmente pela qualidade visual e capacidade de rodar apps Android em realidade mista.

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Contudo, sinto que ainda falta “maturidade” nessa parte. A ausência de controles dedicados no pacote inicial e a inconsistência no rastreamento prejudicam a precisão, principalmente em jogos mais exigentes.

Na produtividade, ele também divide opiniões. A ideia de substituir monitores por telas virtuais é excelente e funciona em certos cenários, mas limitações de compatibilidade e pequenos bugs ainda atrapalham fluxos mais complexos.

A experiência é semelhante a de usar aplicativos na tela externa de um Galaxy Z Flip. O sistema é perfeitamente capaz de abrir qualquer aplicativo na “telinha”, mas não são todos que foram otimizados para isso; no geral, tudo funciona na base da “gambiarra”.

Por conta disso, muitos apps ficam com um aspecto estranho, seja “cortando” parte do conteúdo posto em tela ou com pontos “inalcançáveis” na hora de clicar. É um problema que só poderá ser resolvido com anos de otimização e versões criadas especificamente para o dispositivo.

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Vale a experiência?

O Galaxy XR acerta em pontos importantes: conforto, qualidade de imagem, integração com apps e uma proposta realmente diferente, mas também deixa claro que ainda estamos no começo

Falta refinamento, falta estabilidade e, principalmente, falta um motivo realmente forte para a maioria das pessoas usar um headset todos os dias

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O cenário piora quando descobrimos o preço: ainda não disponível no Brasil, o produto sai por a partir de US$ 1.799 nos Estados Unidos – o equivalente a R$ 9.200 sem a adição de impostos.

O Galaxy XR não é um produto ruim, longe disso. Ele é ambicioso, interessante e cheio de ideias boas, só que ainda não está 100% pronto. É o tipo de tecnologia que encanta, mas que ainda não nos incentiva a voltar para ela todos os dias.