Review Obasmart 3 | Celular para idoso que não tem nada demais

Review Obasmart 3 | Celular para idoso que não tem nada demais

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 17 de Agosto de 2021 às 17h00
Ivo/Canaltech

Se você concorda que os smartphones estão cada vez mais complicados, a Obabox criou um telefone que diz ter uma “solução exclusiva, que inclui diversos serviços para facilitar o acesso à tecnologia”. Trata-se do Obasmart 3, um celular para idosos que tem interface visual própria para a terceira idade e já vem com WhatsApp instalado.

Parece interessante, né? E de fato, é, mas o que a empresa não conta é que, além de ser um aparelho simples demais para custar quase R$ 1.000, o dispositivo não traz nada realmente novo. Os tais serviços para facilitar o acesso à tecnologia não são nada além de aplicativos que você pode baixar gratuitamente em qualquer smartphone Android.

Eu testei o Obabox Obasmart 3, incluindo um dia de uso como meu celular pessoal, e conto a minha experiência a seguir. A análise entra em detalhes do motivo pelo qual o produto não vale a pena e ainda recomenda algumas opções mais interessantes, nas quais basta instalar um app para transformar em celular para idoso.

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Prós

  • Já vem pronto para o uso por idosos;

Contras

Design e Construção

O celular tem visual bastante tradicional, com tela que traz proporção de 18:9 e bordas superior e inferior relativamente grandes, pensando nos padrões atuais. Um flash LED, o alto-falante de chamadas e uma câmera frontal ficam acima do visor. Os botões de volume e energia ficam no lado direito, enquanto conectores P2 e micro USB se encontram na parte de cima.

As laterais são todas em plástico, e mesmo assim foram feitas marcações como se fossem linhas de antena, necessárias apenas em dispositivos com acabamento metálico. A traseira é removível e dá acesso à bateria, também destacável. É possível inserir um chip micro SIM e outro nano SIM, além de um cartão micro SD. Há um vão na parte inferior da tampa para iniciar o processo de remoção, e ela é bastante flexível, o que facilita a tarefa.

  • Dimensões (A x L x P): 146,6 x 72,3 x 9,0 mm
  • Peso: 170 g

O alto-falante e o leitor de impressão digital ficam na traseira, que ainda tem um pequeno módulo para a câmera única e um flash LED. Não tem muito o que falar sobre o design do Obasmart 3 porque é um celular barato. Sua vantagem é ser um modelo compacto para quem quer segurar o aparelho com uma mão e controlar com a outra — ou seja, uma pessoa idosa.

Tela

Obasmart 3 com sua interface especial para idosos (Imagem: Ivo/Canaltech)

Aí a gente entra em todos os problemas do smartphone. A tela tem 5,46 polegadas e, como já mencionado, proporção 18:9. A resolução fica abaixo do HD, com 480 x 960 pixels. São apenas 196 pixels por polegada, o que não seria ruim para o uso mais básico de uma pessoa de idade que só quer verificar as mensagens no WhatsApp e ficar em contato com filhos e netos, por exemplo.

O problema está em sua tecnologia geral. O tipo exato do painel não consta na ficha técnica, mas dá para ver que não é bom para um celular atual, ou mesmo de dois anos atrás. O ângulo de visão é péssimo, tanto que com uma inclinação pequena já fica impossível enxergar o conteúdo. Algo que eu não vejo em smartphones há muito tempo, e olha que eu testei muitos modelos de entrada lançado nos últimos anos.

Não se trata de implicância da minha parte. O celular está à venda no site da Obabox por R$ 1.200 (com desconto à vista, fica R$ 997), valor com o qual é possível comprar um modelo com tela muito melhor e mais moderna, tanto em resolução quanto na tecnologia do painel e até a sensibilidade ao toque. E ainda sobra um bom troco.

Aliás, falando nisso, o display possui um acabamento em plástico, e nem sempre responde bem ao toque. Eu joguei um pouco de Candy Crush e foram raras as vezes em que ele acertou o local em que eu realmente encostei no visor para fazer arrastar o doce. E isso mesmo com uma caneta que costuma funcionar bem em qualquer touchscreen.

Em resumo, a tela tem pouca nitidez, ângulo de visão péssimo e sensibilidade ao toque horrível.

Aparelho vem em uma caixa com bastante acessório, incluindo fone de ouvido, capinha e película (Imagem: Ivo/Canaltech)

Configuração e Desempenho

A proposta do Obasmart 3 é oferecer uma experiência melhor para pessoas de terceira idade, e para isso aposta, principalmente, em um lançador diferenciado que aumenta itens da tela inicial para facilitar o controle gestual desses usuários. Mas o aparelho peca demais na simplicidade de seu hardware, com um processador de mais de seis anos atrás e pouca memória.

Não é uma questão de exigir hardware poderoso e em linha com os modelos mais caros. A questão é que a plataforma do Obasmart 3 já era bem fraca quando foi lançada e, para 2021, definitivamente não consegue oferecer o mínimo de uma boa experiência. Em termos simples, o celular trava até mesmo para desbloquear a tela. Além disso, com apenas 1 GB de memória RAM, ele fica sempre no limite.

Eu poderia falar aqui o quão ruim foi o resultado do aparelho nos benchmarks (o 3D Mark sequer permitiu que eu rodasse o teste mais exigente), mas não tem necessidade. O dispositivo trava ao acessar a loja de aplicativos do Google e não consegue oferecer um mínimo de fluidez para usar redes sociais. Imagine se uma pessoa com histórico de WhatsApp longo vai conseguir abrir as conversas sem travamentos ou sem esperar muito mais tempo do que o aceitável.

Eu tentei jogar alguns títulos leves, também, e mesmo Candy Crush ou Subway Surfers rodam de maneira sofrível. E ainda tem a questão da tela, cuja sensibilidade ao toque é sofrível, e só piora a já ruim experiência em jogos.

Até daria para recomendar o dispositivo para alguém que realmente não faça questão de velocidade no celular, mas não tem motivo considerando seu preço. Dá para comprar outros modelos bem melhores por um preço mais baixo do que você encontra o celular para idosos da Multilaser atualmente.

As especificações técnicas do Obasmart 3 incluem 1 GB de memória RAM e 32 GB de armazenamento interno, expansível com cartão micro SD de até 64 GB. A plataforma é uma Spreadtrum SC7731E (marca atualmente chamada Unisoc) de 28 nanômetros e quatro núcleos Cortex-A7 de até 1,3 GHz. Eu usei o app AIDA64 para coletar essas informações e notei que, mesmo na tela das especificações do processador, os núcleos trabalhavam quase o tempo todo no máximo.

Interface e conectividade

Apesar da interface pensada para o uso de idosos, o Obasmart 3 não tem um sistema diferente. Ele traz o Android 9 edição Go instalado, e tem o lançador BIG Launcher para servir de tela inicial. O aplicativo é gratuito e pode ser instalado em qualquer celular Android, ou seja, não precisa comprar este modelo só por causa disso. Ele só cria uma tela inicial diferente, com fonte e itens maiores, mas não afeta em nada os outros apps. O WhatsApp tem a mesma aparência que você vê em outros smartphones.

“Pelo que eu notei, a Multilaser — empresa responsável pelos aparelhos da Obabox — fez uma pré-instalação do BIG Launcher e do WhatsApp para já deixar mais preparado para um idoso. Eu resetei o aparelho para as configurações de fábrica duas vezes, e ele sempre voltou sem esses dois aplicativos, que eu pude instalar livremente da Play Store, já que são gratuitos.”

Em conectividade, o Obasmart 3 tem Bluetooth 4.0, internet 3G, Wi-Fi single-band (apenas 2,4 GHz). Vem com aplicativo de rádio FM instalado e tem GPS, além de conector para fone de ouvido e micro USB.

Câmera

Um celular para idoso realmente não precisa tirar fotos excelentes, mas o Obasmart 3 abusa um pouco da falta de qualidade de seu conjunto fotográfico. São apenas dois sensores, um traseiro e outro frontal, ambos de 5 MP cuja qualidade está mais próxima de celulares com câmera VGA do que de modelos mais recentes.

Sensor principal | 5 MP

Tentativa de tirar uma foto em condição ideal de luz (estúdio) com uso de um tripé (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

É praticamente impossível tirar uma foto decente com a câmera principal do celular. Por mais que eu tentasse, não consegui encontrar onde fica o foco, e toda fotografia parecia ter sido feita com as câmeras VGA do começo do século: imagem embaçada e pixelizada, sem nitidez e com cores apagadas.

Sinceramente, não acho que sirva nem mesmo para sua avó tirar uma foto da torta que ela fez e quer mostrar como ficou bonita. E não adianta preparar um estúdio com luz equilibrada, a foto simplesmente não sai boa em nenhuma situação.

Selfies | 5 MP

Selfie em condição ideal de luz (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

A câmera frontal é a mesma da traseira, e tem basicamente os mesmos problemas. O software ainda traz um embelezamento ligado por padrão, mas que não parece mudar muita coisa na imagem. É difícil dizer, já que o foco é um dos maiores pontos fracos do conjunto.

Vídeos

O Obasmart 3 também grava vídeos, limitados à resolução HD (720p) nas duas câmeras. O problema de falta de foco, cores e nitidez segue o que já mencionei nas fotos e ainda tem um agravante: a taxa de quadros parece bem baixa, e o resultado final fica parecendo um GIF animado.

Sistema de Som

Áudio é o aspecto que as empresas dão menos atenção ao desenvolver um celular, e o Obasmart 3 tem um sistema mono que serve unicamente para reproduzir algum som. O alto-falante mono fica na parte traseira, o que só piora a percepção pelo usuário, mas a qualidade ruim, com graves e agudos abafados, não seria muito diferente mesmo que a posição fosse melhor.

Bateria e Carregamento

Com tela de 5,5 polegadas e resolução baixa, processador de baixa frequência, o Obasmart deve, pelo menos, entregar um bom tempo de uso, certo? Infelizmente, nem nesse ponto ele consegue ir bem.

São apenas 2.500 mAh de carga. E lembra que eu mencionei que o processador está quase sempre no máximo? Isso consome muita carga. A plataforma é antiga, tem mais de seis anos de mercado, e foi desenvolvida em uma época em que a eficiência energética não era tão boa como é atualmente.

Isso fica evidente com o teste de reprodução de vídeos na Netflix. Em apenas três horas, foram consumidos 26% da carga, uma estimativa de 11,5 horas nesta tarefa. É um dos piores resultados que já verificamos aqui no Canaltech, e só piora com o uso real.

Sim, eu usei o Obasmart 3 como celular principal por um dia, em nome da ciência. Claro que, por ser muito mais limitado, eu tive que selecionar menos tarefas, e optei por jogos mais leves, como Candy Crush e Subway Surfers. Além disso, instalei WhatsApp, Instagram e TikTok, além de ter assistido a vídeos no YouTube e na Netflix.

O resultado até que não foi de todo mal, com 49% de carga restante depois de 7 horas fora da tomada e quase 4,5 horas de tela ativa. Porém, note que o uso foi menos exigente do que eu tive em testes com os Moto G ou o Galaxy M62, que encerraram a maratona de uso com bem mais carga.

Pela minha experiência de anos testando celulares, acredito que dá para um usuário idoso extrair um dia de uso sem grandes problemas. O resultado é decepcionante, mas ao menos não é tão ruim quanto o restante dos aspectos aqui analisados.

Mas e o tempo de recarga? Com um carregador de apenas 5 W, o Obasmart 3 pode chegar a ficar mais de 3 horas na tomada para ir de 0% até 100%. Não é de todo mal, considerando que é um celular com aspectos bem simples, mas também não dá para citar como ponto positivo.

Traseira do celular é removível (Imagem: Ivo/Canaltech)

Concorrentes Diretos

Não há concorrentes diretos para o Obasmart 3 por conta de sua característica única de ter interface pensada para o uso de pessoas idosas. Porém, como eu já expliquei que não é nada mais que um aplicativo instalável em qualquer celular, dá para pegar alguns exemplos de smartphones de até R$ 1.000. Daí é só instalar um lançador especial para servirem muito melhor para pessoas da terceira idade.

Vou citar aqui apenas alguns modelos simples, com tela, processamento, memória e bateria decentes: Galaxy A01, se você quiser um modelo compacto; Galaxy A02s, com mais memória RAM e bateria que o antecessor; Philco HIT P10, com muita memória e bastante bateria; e Moto E7 Plus, um pouco mais completo que todos os outros aqui citados.

Uma alternativa seria apostar em celulares mais tradicionais, com teclado físico e que também oferecem suporte ao WhatsApp. O Positivo P70s e o Multilaser Zapp possuem o sistema KaiOS e também podem servir para um usuário idoso de maneira até melhor (e mais barata) do que o Obasmart 3.

Conclusão

A Multilaser tentou criar, por meio da Obabox, uma nova categoria de smartphones para a terceira idade, uma ideia nobre e que merece ganhar mais atenção de outras fabricantes. Infelizmente, este caso não foi uma tentativa bem-sucedida. O Obasmart 3 tem tela ruim, desempenho sofrível e câmeras de péssima qualidade. Só se salva, por pouco, na autonomia de bateria, que deve ser suficiente para um dia de uso básico.

"Não parece uma boa ideia pagar mais para comprar um celular que já esteja pronto para o uso de uma pessoa idosa, ainda mais quando esta não é uma configração tão difícil de fazer. É mais interessante comprar um bom aparelho e, se necessário, pagar para uma pessoa que tenha conhecimento fazer a instalação de um aplicativo para transformar a interface — e para isso, nós do Canaltech indicamos o BaldPhone, que é gratuito".

O preço oficial cobrado pelo aparelho é altíssimo para o que ele oferece, e o valor no varejo também não agrada. Compensa muito mais comprar qualquer celular Android por esse preço e instalar uma interface para idosos. O Canaltech já ensinou como transformar qualquer aparelho em um celular para idoso.

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