Quem inventou o chuveiro elétrico?

Quem inventou o chuveiro elétrico?

Por Lupa Charleaux | Editado por Wallace Moté | 08 de Junho de 2022 às 16h17
Divulgação/Astra

Com o inverno chegando, muita gente se prepara para enfrentar as baixas temperaturas. É nessa época do ano que todos agradecem pela invenção do chuveiro elétrico, acessório que permite que as pessoas possam enfrentar o frio e tomar um relaxante banho quente mesmo que não possuam um sistema de aquecimento em casa. Então, o Canaltech explica quem foi a mente por trás dessa importante tecnologia.

O conceito de chuveiro como objeto usado para a higiene pessoal não é recente. Por exemplo, há relatos de um acessório com proposta semelhante sendo usado na Grécia no ano 1.300 antes de Cristo — para banhos com água fria.

Durante a Revolução Industrial na Europa e nos EUA, os chuveiros se tornaram itens comuns após o desenvolvimento dos sistemas de gás encanado que aqueciam a água. Contudo, a ideia precisou ser adaptada quando chegou ao Brasil na década de 1930.

Um dos primeiros modelos de chuveiros elétricos desenvolvido pelo engenheiro Francisco Canhos (Imagem: Reprodução/Wikimedia Commons)

Quem foi o inventor do chuveiro elétrico?

Como as cidades do Brasil não tinham um sistema de gás como na Europa, o chuveiro elétrico se tornou a alternativa para quem queria tomar banho quente na década de 1930. Contudo, os primeiros modelos usavam estruturas bem perigosas para os usuários.

Sem uma isolação adequada para os condutores elétricos, os equipamentos usavam resistores de níquel ou cromo — metais de alto ponto de fusão — para trocar calor e aquecer a água. Já o corpo era feito de metal, material condutor de eletricidade que ampliava os riscos de choque.

Foi então que Francisco Canhos, um engenheiro de Jaú, interior de São Paulo, desenvolveu o primeiro modelo de chuveiro elétrico "moderno" na década de 1940. A intenção era ter uma tecnologia segura e automatizada, além de ser de fácil instalação em casas mais populares.

O projeto adotava um sistema de diafragma de borracha que fixava e isolava a resistência. Ao abrir o registro, o volume de água que entrava no corpo do chuveiro aproximava a resistência dos cabos elétricos, fechando o circuito e aquecendo a peça.

Não contente em aprimorar a tecnologia, Canho também criou o sistema de variação de temperatura. Para isso, foram adicionados dois resistores – um de alta potência e outro de menor potência – que alteravam o quanto a resistência poderia ser aquecida.

Na década de 1950, a patente foi adquirida pela italiana Lorenzetti, que ajudou a popularizar o uso do chuveiro elétrico em todo Brasil. Aprimorando a ideia original, a fabricante substituiu o sistema de diafragma por um pistão interno que aproxima a resistência dos cabos elétricos.

Os chuveiros elétricos modernos têm estruturas de plástico e adotam sistemas mais seguros (Imagem: Divulgação/Astra)

Como funciona o chuveiro elétrico moderno?

Os chuveiros elétricos atuais trabalham com um sistema semelhante ao que foi pensado por Canho na década de 1940. Algumas alterações e aprimoramentos foram feitos de lá para cá, mas o conceito pode ser explicado em três etapas:

  1. Ao abrir o registro, a água entra na caixa do chuveiro com uma pressão elevada, mas parte fica acumulada no espaço interno. Esse volume aciona o sistema de diafragma ou pistão que aproxima a resistência do sistema elétrico na parte superior;
  2. Quando a corrente elétrica começa a percorrer a resistência, a peça é aquecida. Dessa maneira, a água ao redor do componente recebe o calor;
  3. Ao fechar o registro, o volume de água no chuveiro é reduzido e o diafragma/pistão se desconecta do sistema elétrico. Com isso, a corrente elétrica é interrompida.

Em geral, os chuveiros elétricos trazem uma chave externa para o ajuste da temperatura “Inverno” ou “Verão”. Internamente, o sistema acompanha a lei de Ohm, em que a corrente de energia é inversamente proporcional ao tamanho da resistência — tecnicamente chamada de resistor.

A resistência curta tem mais corrente circulando através dela e, por consequência, irá gerar mais calor para esquentar a água. Do outro lado, a resistência maior tem menos corrente circulando por ela e, então, o aquecimento é menor.

Assim, a função da chave é indicar por qual resistência a corrente deve circular: a menor (inverno) ou a maior (verão). Lembrando que há modelos de chuveiros com “quatro temperaturas” e uma resistência de tamanho intermediário.

A escolha de um chuveiro elétrico envolve vários aspectos (Imagem: Divulgação/Lorenzetti)

Como escolher o chuveiro elétrico?

Antes de adquirir um chuveiro elétrico, há alguns pontos que devem ser analisados. São detalhes que vão refletir no conforto obtido, na economia de energia e, principalmente, na segurança ao usar o produto.

Em primeiro lugar é fundamental saber a voltagem do aparelho e da residência, pois existem aparelhos de 127 volts e de 220 volts no mercado. Isso ajuda a evitar acidentes durante a instalação ou possíveis sobrecargas da rede doméstica.

A potência é outro ponto de atenção ao escolher um chuveiro. Os modelos abaixo de 5.400 watts têm preços mais acessíveis e baixo consumo de energia, mas oferecem menor vida útil. Já os aparelhos de maior potência costumam durar mais, gastam mais energia e possuem valores mais elevados.

Quem mora em casa, especialmente em residências com apenas uma caixa d’água e baixa pressão hídrica, a sugestão é ter um chuveiro pressurizado com um grande espalhador. Os moradores de apartamentos não precisam ter essa preocupação com a pressão da água e os equipamentos comuns conseguem cumprir bem a proposta.

Os chuveiros eletrônicos permitem o ajuste da temperatura sem desligar o aparelho (Imagem: Divulgação/Lorenzetti)

Quais são as diferenças entre o chuveiro elétrico e o chuveiro eletrônico?

Essas são nomenclaturas que costumam confundir os usuários na hora da compra. Basicamente, as tecnologias aplicadas são as partes que diferenciam o chuveiro elétrico do eletrônico.

Em especial, os modelos eletrônicos usam chaves que possibilitam ajustar a temperatura sem precisar desligá-los. Esse recurso oferece mais “níveis” de temperaturas, possibilitando regulá-los melhor sem mexer no registro e no volume de água.

A desvantagem é que esses modelos são encontrados com a potência mínima de 7.500 W. Dessa maneira, eles consomem muito mais energia elétrica do que os aparelhos elétricos “padrão” quando são usados com temperaturas mais altas.

Você já sabia que o chuveiro elétrico foi criado por um brasileiro? Não esqueça de compartilhar esse conteúdo com mais pessoas interessadas no tema.

Fonte: Mundo Inverso, Mundo da Elétrica, Casa Show, Astra

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