Quais são as desvantagens de importar um celular da China?

Quais são as desvantagens de importar um celular da China?

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 27 de Maio de 2022 às 09h30
Eric Mockaitis/Canaltech

Opções para comprar um celular não faltam. Você pode procurar bons modelos nacionais, ou seja, vendidos nas lojas brasileiras, ou buscar modelos para importar. Neste segundo caso, os mais recomendados pelo bom custo-benefício são os smartphones chineses.

Mas não há apenas vantagens em comprar celular da China. Existem alguns pontos que você precisa ter em mente e ficar de olho enquanto pesquisa seu próximo smartphone antes de decidir trazer um do país asiático.

Para ajudar neste processo, elenquei as principais desvantagens de importar um celular da China no texto a seguir.

E as vantagens?

Este texto foca apenas nas desvantagens de comprar um celular de sites da China. Claro que também há benefícios, mas estes são vastamente listados em análises e matérias de todo tipo disponíveis na internet, portanto não vejo necessidade de repetir tudo por aqui. Mas basicamente, estamos falando de preços muito atraentes e uma variedade de modelos que não encontramos por aqui.

A ideia é apenas deixar o alerta para possíveis problemas que você possa ter comprando celulares sem o selo de certificação da Anatel. Não tenho intenção de desencorajar ninguém, acho que cada um faz o que acha melhor para si mesmo. O importante é ter informação para não ser pego de surpresa depois.

O que são celulares importados?

No fundo, todo celular vendido no Brasil é importado, mesmo que seja por ter projeto e componentes desenvolvidos no estrangeiro. Porém, algumas fabricantes montam celulares em fábricas no nosso país, enquanto outras, como Xiaomi e Realme, trazem os produtos prontos da China e vendem oficialmente aqui.

Para todos os efeitos, as desvantagens listadas neste texto só consideram os modelos que não possuem selo da Anatel. E são produtos encontrados de diversas formas na internet.

Redmagic 7 foi analisado pelo Canaltech, mas só pode ser comprado da China (Imagem: Ivo Meneghel Jr/Canaltech)

Você pode comprar diretamente em sites chineses, ou encomendar em sites brasileiros. Neste segundo caso, há unidades com estoque já no Brasil, e que portanto já passaram por desembaraço aduaneiro, mas também há vendedores internacionais.

Ao menos as vendas com estoque fora do país são bem sinalizadas, e quem presta atenção consegue saber se o estoque já está no Brasil. Mas não há muita informação quando um celular está em estoque aqui, mas foi importado pelo próprio vendedor. Ao menos neste caso, a loja tem que respeitar regras de garantia do Brasil.

Estes modelos, mesmo que vendidos em nossa moeda e a pronta entrega, também podem ter plugue de tomada que exige um adaptador, além de manual sem tradução para o português.

Taxação e frete

Não existe um consenso se o valor mínimo para produtos importados serem taxados ao passar pela Receita Federal é de US$ 50 ou US$ 100. Para celulares, tanto faz: é muito difícil encontrar modelos que custam menos de uma centena de dólar ou equivalente, então eles costumam gerar um imposto de 60% do seu valor de qualquer maneira.

Claro que a Receita não dá conta de analisar todos os produtos que entram, então, de vez em quando, alguns produtos passam sem taxação. E os que são analisados nem sempre possuem informações claras sobre o conteúdo do pacote, o que pode gerar cobranças incorretas ou, pior, multa ao consumidor.

No caso de multa, pode acontecer se você tentar dar uma de esperto e pedir para a loja declarar um valor muito inferior ao que realmente foi pago. Além disso, as declarações de conteúdo de encomendas da China nem sempre são claras, o que dificulta o trabalho da Receita.

Alguns modelos chineses só têm interface em chinês ou, no máximo, inglês (Imagem: Rami Al-zayat/Unsplash)

E isso pode gerar variações na cobrança da taxa de um mesmo dispositivo. Uma compra de R$ 1.500 pode gerar um imposto de R$ 200, mesmo que o correto seja R$ 900. O que fazer, então? Guardar mais do que os 60% para não correr o risco de ter uma surpresa e não conseguir pagar.

Claro que você pode contestar caso seja cobrado um valor superior aos 60%, mas mesmo assim é melhor se prevenir para um custo adicional. Até porque podem ter outras cobranças, além da variação no câmbio entre a sua compra e a chegada do produto na Receita Federal.

E lembre-se que a taxação é uma regra, e não exceção. É necessário ter uma boa dose de sorte para não ser taxado em nenhum valor, então é melhor já contar com esse gasto extra na hora de importar. Se o produto passar isento, você fica com uma grana extra para o próximo upgrade.

Demora na entrega

Assim como a questão da taxação, o tempo de entrega também é um problema a ser considerado apenas para compras em sites chineses. Afinal, não dá para esperar que um produto que está do outro lado do mundo chegue à sua casa em poucos dias, certo?

Há casos em que o produto pode demorar meses para chegar. Afinal, ele sai do estoque e vai para uma fila de envio internacional, muitas vezes feita de navio. E quando finalmente desembarca no Brasil, ainda tem o processo de fiscalização aduaneira, que é a checagem da Receita Federal para saber se deve taxar.

Demora na entrega do seu celular chinês não é necessariamente dos Correios (Imagem: Divulgação/Correios)

Para isso, geralmente é feito um processo não-invasivo por raio-X. Mas são muitos produtos chegando todos os dias, e a fila é bem grande. Esse processo pode demorar alguns dias ou até semanas.

Pode ser rápido, também, mas para todos os efeitos, é melhor esperar que demore. Olhe bem a previsão de entrega na hora de fechar a compra e pode adicionar uma semana a mais para eventuais imprevistos.

Ausência de garantia e dificuldade na assistência técnica

A lei brasileira define um prazo mínimo de 90 dias para trocar produtos com defeito de fabricação. Mas se você compra no exterior, não tem como exigir que a regra daqui seja respeitada pela loja estrangeira. E aí, como fica?

Geralmente, os sites que fazem envios internacionais oferecem alguma cobertura para esses casos, mas é um processo complexo. Afinal, você teria que devolver um produto que veio lá da China. E só receberia outro depois de uma análise da loja ou fabricante para constatar se realmente há algum problema técnico.

Celular importado quebrou? Pode ser difícil conseguir um conserto (Imagem: KonstantinKolosov/Envato)

Ou seja, por mais que a loja ofereça alguma cobertura, o processo de troca é bastante complicado. E aí quem já esperou pelo menos 15 dias para receber o novo celular vai ter que esperar cerca de um mês para receber uma nova unidade.

Além disso, a assistência técnica pode ser algo complicado. Se o celular for de uma empresa que não tem representação por aqui, você vai ter que apostar em técnicos não autorizados. E pode não conseguir peças de substituição, também.

Compatibilidade das redes móveis

Talvez o ponto mais importante seja este. Nem todo celular vendido em outras partes do mundo consegue se conectar às redes móveis de qualquer lugar. Claro que você consegue acesso ao menos um 2G e um 3G independente de onde esteja, mas o 4G é um pouco mais complicado.

Por isso, é bom ter atenção a esse detalhe. O 4G disponível no Brasil usa as bandas 1, 3, 5 e 28. As três principais operadoras do país utilizam as quatro, mas nem todas as faixas estão disponíveis em todo o Brasil. Fica com você a responsabilidade de saber qual é a frequência da sua operadora em sua cidade.

Xiaomi tem vários modelos incompatíveis com as redes brasileiras (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Você consegue ver isso no site da Anatel. É possível filtrar direto pelo seu município clicando em filtros adicionais na página.

A princípio, esse problema não deve se repetir com o 5G, já que todos os modelos lançados até agora são compatíveis com todas as faixas. Ao menos aqui no Brasil, que vai utilizar a tecnologia Sub-6GHz.

Desvantagens de importar um celular da China

Comprar seu próximo smartphone de sites chineses pode ser uma boa ideia, desde que você tenha as desvantagens em mente. Se esses não são problemas muito graves, e você acredita que o preço final pelo produto a ser adquirido compensa, a escolha é sua e foi feita de maneira consciente.

Então, se você se programar para esperar um bom tempo até a chegada do produto, separar o valor de possíveis taxas (que podem incidir, inclusive, sobre o frete), já está preparado para metade dos riscos. De resto, é só garantir que o aparelho funcione na frequência 4G da sua cidade.

O maior problema é a garantia, mesmo. Você pode tentar trazer modelos que foram lançados oficialmente no Brasil e tentar a sorte com a assistência técnica de Xiaomi ou Realme. Mas as empresas não são obrigadas a oferecer cobertura nenhuma a modelos não lançados oficialmente por aqui.

Agora que você sabe de todos os riscos de importar um celular da China, já pode fazer sem medo de ter uma surpresa lá na frente. Mas se quiser desistir e confiar nos modelos vendidos oficialmente por aqui, ao menos fica tranquilo na questão da garantia e assistência técnica.

Repito mais uma vez: a escolha é sua.

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