Designer do icônico Razr V3, da Motorola, conta como o celular foi criado

Por Patrícia Gnipper | 21 de Dezembro de 2018 às 16h40
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Criado em 2004, três anos antes de a Apple lançar o primeiro iPhone e revolucionar a indústria da telefonia móvel para todo o sempre, o Motorola Razr V3 era um dos aparelhos mais cobiçados de sua geração, servindo como objeto de ostentação por quem já o tinha. Ele foi o sétimo celular mais vendido da história, e seu desenvolvimento considerou um público-alvo pequeno, pois o preço era elevado para a época. Contudo, seu design moderno e espessura bastante fina atraíram os olhares de outros públicos, fazendo com que o modelo se tornasse um ícone de sua geração.

Em 2005, então, a Motorola acabou produzindo o Razr V3 em grande escala, com o aparelho custando cerca da metade do preço inicial. Foi aí que ele virou um fenômeno de vendas não somente nos Estados Unidos, como também no Brasil. E, em matéria de design, o celular revolucionou o mercado dos anos 2000.

E justamente por isso que Paul Pierce, designer do V3, topou falar com o CNet sobre como foi criar a "carinha" deste celular que até hoje é lembrado como símbolo de status de sua época. Afinal, somente os recursos do aparelho não eram especialmente notáveis — o que fez com que ele se tornasse um ícone foi justamente suas inovações em termos de design.

Nova arquitetura de chipsets permitiu o design extremamente fino

(Foto: CNET)

Pierce contou à reportagem que o que permitiu a criação de um celular extremamente fino naquela época foi justamente o lançamento de uma nova arquitetura de chipsets no ano de 2003. É que, para chegar à espessura final do produto, o processo envolvia empilhar uma placa de circuito em cima da bateria, mas o novo chipset "nos permitiu colocar a placa de circuito e a bateria no mesmo plano". Então, "instantaneamente cortamos uma grande parte da espessura do dispositivo em geral, e isso foi claramente um avanço, e vimos uma oportunidade de desenvolver algo realmente único".

A maioria dos celulares da época media cerca de 20 milímetros de espessura, e a equipe tinha como objetivo reduzir essa medida pela metade, sem comprometer a qualidade das chamadas e demais funções essenciais de um aparelho celular. Por isso, uma solução adotada foi aquele "queixo" proeminente — algo que não agradou muito a Pierce, na verdade.

"Dentro do design, nós realmente não gostamos do queixo quando o vimos pela primeira vez. Mas uma das coisas que realmente nos colocou no lugar certo foi a ideia de o queixo permitir a integridade das funcionalidades. A antena está na parte inferior, o que chamamos de queixo, e isso era realmente muito diferente do resto do mercado", conta Pierce.

Então, os designers também pensaram em uma maneira de criar um teclado que inspirasse uma conexão emocional do usuário com o aparelho. A ideia seria que, na primeira vez em que o usuário abrisse o aparelho do tipo flip, ele realmente se surpreendesse. "Eles nunca tinham visto um teclado de metal, e nunca tinham visto um teclado com este nível de acabamento. Foi algo verdadeiramente revolucionário", relembra.

Um provável retorno do Razr V3?

Há zumbidos no mercado quanto a um possível retorno do Razr V3, seguindo a onda dos lançamentos saudosistas que vêm relançando aparelhos "das antigas" mas com elementos mais modernos, como tela sensível ao toque, aplicativos e 4G.

Pierce não confirma que a empresa estaria mesmo trabalhando nessa possibilidade, mas deixa a coisa no ar: "Eu acho que as pessoas estão ansiando por algo do tipo e se lembrando daquele Razr, quando ele se abriu, seu som, a sensação daquele momento. Onde isso acontece hoje? Me parece uma oportunidade". Ele, que ainda trabalha como designer respeitado na sede de Chicago da Motorola, revela que está "tentando entender o que podemos fazer para reviver um pouco dessa sensação, mas isso tem que ser feito de uma forma que fundamentalmente proporciona uma experiência incrível. Tenho que descobrir como fazer esse avanço".

Fonte: CNet

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