Comparativo Xiaomi MIUI x Apple iOS | O que importa mais, visual ou usabilidade?

Comparativo Xiaomi MIUI x Apple iOS | O que importa mais, visual ou usabilidade?

Por Bruno Bertonzin | Editado por Léo Müller | 20 de Maio de 2022 às 11h23
Danilo Berti/Canaltech

Há quem diga que a MIUI se inspira em muitos aspectos no iOS. Por outro lado, a interface da Xiaomi baseada no Android tem uma série de diferenças na comparação com a plataforma da Apple.

Afinal, quais são os pontos em que cada uma leva vantagem? Neste comparativo, levanto os principais pontos em que a interface da Xiaomi leva vantagem contra o iOS e quais os pontos em que o sistema da Apple ganha da rival chinesa. Confira:

Design e personalização

O design do iOS é bem agradável e minimalista. A Apple abre mão de uma gaveta de aplicativos que vemos no Android para espalhá-los na tela inicial. Isso torna bem simples a navegação e ajuda bastante na hora de localizar um app.

O visual geral da interface também é bem elegante e não é à toa que a Xiaomi tenta “imitar” tanto o iOS em sua UI. Até o Centro de Controle das duas — em que é possível gerenciar configurações rápidas — são bem parecidos.

Personalização, no entanto, não é o ponto forte da Apple, e um dos grandes problemas do iPhone é a falta de customização para o sistema operacional. O usuário só pode alterar o ícone dos aplicativos na tela inicial por meio do app “Atalhos” e trocar o papel de parede. De resto, é tudo muito padrão da Apple, sem opção de modificações.

Do outro lado do campo, a MIUI é o total oposto — a interface da Xiaomi é completamente customizável, permite alterar fontes, ícones, temas, papéis de parede, bloqueios de tela e, inclusive, aplicar personalização com temas criados pela comunidade de fãs que até imitam o visual do iOS. É claro que não fica lá essas coisas, mas caso queira, tem essa opção.

Usabilidade

Se em personalização a MIUI tem uma boa vantagem contra o iOS, em usabilidade o sistema da Apple dá um banho na interface chinesa. E nem é preciso elaborar muito para explicar os motivos.

De um lado, temos um software que é bem trabalhado e desenvolvido, com cada nova atualização trazendo mais correções de erros e melhorias na usabilidade. Do outro, temos uma UI que parece ter sido desenvolvida às pressas, com algumas influências da rival que não foram bem aplicadas no sistema baseado no Android.

Sem contar que, de maneira geral, o iOS entrega bem mais fluidez em seu sistema, com praticamente nenhum engasgo ou travamento, independente da quantidade de memória RAM que o aparelho tem. Isso porque a interface é otimizada para oferecer um bom desempenho mesmo nos modelos mais simples — os chamados iPhone SE.

Até a configuração inicial é mais simplificada no iOS, principalmente se você já estiver migrando de um iPhone para outro. Neste caso, o sistema já busca todas as informações pela conta e acelera o processo.

Na MIUI, por outro lado, além da rotina já extensa do Android, o usuário ainda se depara com etapas bem longas e, em alguns casos, timers que atrasam ainda mais a configuração antes de você clicar em “ok” para confirmar suas decisões.

Atualização de software

Outro ponto importante de se destacar são as atualizações. A Apple é rainha neste sentido e, assim que uma nova versão é liberada, quase 100% da base já recebe o update, enquanto a MIUI leva até semanas para que todos tenham acesso.

Isso é bastante importante para manter o sistema seguro contra vulnerabilidades encontradas na internet. Então não é preciso explicar o quanto os patches de segurança atrasados na MIUI podem ser prejudiciais para os usuários.

Apps, recursos e diferenciais

Tudo bem que a Xiaomi tem alguns pontos que precisam ser melhorados o quanto antes, mas não dá para negar que a MIUI tem seus fortes. Os recursos exclusivos da interface são alguns deles e o usuário tem uma boa variedade de ferramentas à disposição.

O iOS, é claro, não fica para trás e oferece ainda mais benefícios para os fanáticos pela Apple. Desde uma integração maior com apps até um ecossistema completo, a empresa de Cupertino dá uma verdadeira aula de como oferecer vantagens em seus aparelhos. Veja, portanto, alguns recursos de cada software:

Integração com apps de terceiros — iOS

Você certamente já ouviu alguém falar que o Instagram é muito melhor para quem tem um iOS do que para quem usa a plataforma no Android. E isso não é mentira: de fato, usar os stories do Insta em um iPhone é bem mais agradável pela integração do sistema com a rede social.

Em um iPhone, por exemplo, não há redução na qualidade das imagens, e a gravação é bem mais fluída. Isso não tem nada a ver com o fato de o hardware do iPhone ser melhor ou não do que o de celulares Android, mas sim porque a versão do app é desenvolvida especialmente para iOS, para aproveitar melhor os recursos do smartphone.

Centro de Controle do iOS tem diversos atalhos de configuções (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

E não é apenas o Instagram que oferece mais vantagens para quem tem iPhone. O Twitter também tem suas exclusividades no iOS — como permitir compartilhar uma publicação da rede direto nos stories do Instagram sem precisar tirar print da tela —, enquanto o Snapchat também oferece uma melhor qualidade de imagem em sua câmera.

Janelas de pré-visualização — iOS

As janelas de pré-visualização mostram que a Apple se preocupa bastante com o visual da interface no geral. Com esse recurso, basta pressionar algum link para ter uma prévia em uma pequena janela do que aquela página oferece.

E isso funciona tão bem no Safari — o navegador padrão do iOS — quanto em apps de terceiros, como o Twitter, por exemplo.

Controle de dispositivos inteligentes — MIUI

Esse é um ponto positivo que a MIUI tem e que não é bem executado no iOS. Isso porque é possível controlar vários dispositivos de casa conectada — como lâmpadas e ar-condicionado, por exemplo — de forma mais rápida no Centro de Controle da Xiaomi.

Isso até é possível no iOS, mas o Centro de Controle da Apple só oferece os comandos para dispositivos que estão cadastrados no app “Casa”, que por sua vez só aceita aparelhos compatíveis com Apple HomeKit.

Já na MIUI, o usuário tem a opção de usar o aplicativo “Mi Home” ou o “Google Home”. Dessa forma, é possível controlar uma quantidade maior de dispositivos no Centro de Controle.

SharePlay — iOS

O SharePlay é uma ferramenta que funciona em conjunto com o FaceTime — aplicativo de videochamada do iOS. Com ele, os usuários podem assistir filmes e séries com pessoas à distância, compartilhando a experiência.

Dessa forma, não precisa ficar sincronizando o mesmo tempo de um vídeo — todos assistem ao mesmo conteúdo simultaneamente.

Super Wallpaper — MIUI

Os Super Wallpaper são os papéis de parede animados da Xiaomi. Com eles, é possível fazer uma “integração” com a tela de bloqueio e a tela inicial com um único wallpaper. Dessa forma, uma animação é executada quando o usuário desbloqueia o display.

Central de Controle da MIUI é inspirada no iOS (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

Os mais comuns são os de planetas, que mostram uma visão geral do globo antes do desbloqueio e um ponto específico do planeta quando desbloqueado.

Arrastar e soltar — iOS

O “Arrastar e soltar” — ou “Drag and Drop” — é o famoso “copia e cola”, porém mais intuitivo. No iOS, basta manter pressionado um trecho de texto no navegador ou uma foto na galeria para arrastar para um app de edição de texto ou para um mensageiro para um compartilhamento mais rápido.

Dessa forma, não é preciso abrir um menu, clicar em copiar e depois colar no app compatível, é só “arrastar e soltar”.

Mi Remote — MIUI

O Mi Remote é o aplicativo nativo de controle remoto da Xiaomi. Com ele, é possível controlar praticamente qualquer dispositivo de casa que seja comandado por infravermelho. No entanto, é importante destacar, essa é uma função exclusiva para aparelhos que tenham o sensor infravermelho — algo que nem todos os modelos da marca têm.

Toque atrás — iOS

O “Toque atrás” — ou Back Tap — é uma função de acessibilidade do iOS que permite executar alguns atalhos ao dar toques duplos ou triplos na traseira do iPhone, mais precisamente na região da maçã logotipo da marca.

Maçã da Apple funciona como atalho para gestos no iOS (Imagem: Ivo Meneghel Jr/ Canaltech)

Dessa forma, é possível definir duas ferramentas que serão executadas imediatamente ao dar os gestos na traseira. Entre as opções estão abrir um app específico, executar a câmera, ir para o Centro de Controle ou acender a lanterna.

Segundo Espaço — MIUI

O Segundo Espaço é uma ferramenta que permite criar uma nova área nos celulares da Xiaomi. Com ele, é possível separar completamente os perfis pessoal e de trabalho com duas contas totalmente separadas.

O recurso pode ficar ainda melhor se o usuário cadastrar uma impressão digital específica para cada área, além de senhas diferentes. Dessa forma, o acesso ao primeiro espaço e segundo espaço ficam totalmente separados.

Ecossistema completo — iOS

Para quem tem mais de um produto da Apple — um iPhone e um MacBook, por exemplo — é possível aproveitar todos os benefícios de estar incluso no ecossistema da Maçã. São inúmeras possibilidades, como usar o celular como roteador do seu notebook de forma automática, sem precisar abrir as configurações para ativar o recurso.

Outra possibilidade interessante é para quem tem iPhone e HomePod. Quando estiver ouvindo músicas no celular, basta aproximá-lo da caixa de som para que a reprodução seja transferida imediatamente entre os dois dispositivos.

São vários recursos de integração entre dois ou mais dispositivos da marca que torna bem mais agradável o uso do ecossistema desenvolvido pela Apple.

Só beleza não se põe à mesa

A MIUI é uma interface linda, com bastante recursos de personalização que dão um belo atrativo visual para os usuários. Alguns recursos exclusivos também tornam ela uma boa opção para quem pensa em pegar um celular da Xiaomi.

No entanto, ela para por aí. A usabilidade e as atualizações de software ficam muito para trás em comparação com o iOS — e com muitas outras interfaces do Android também —, que oferece bem mais fluidez e muito menos travamentos ou lentidão que a interface chinesa.

MIUI oferece um bom design, mas fica muito para trás em usabilidade e outros aspectos (Imagem: Danilo Berti/Canaltech)

Em ferramentas exclusivas, apesar de a Xiaomi ter uma boa gama de funções nativas, o iOS também oferece mais vantagens, como seu ecossistema mais integrado e a compatibilidade expandida com aplicativos de terceiros.

O Drag and Drop e as janelas de pré-visualização do iOS também são excelentes atrativos que tornam a usabilidade de um iPhone muito mais avançada do que a de um Xiaomi.

Por fim, e não menos importante, é válido destacar que, apesar de não oferecer tantas opções de customização, o sistema operacional da Apple é tão belo quanto o rival, com menus bem intuitivos e um design geral bem atrativo.

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