Travis Kalanick deixa o board da Uber e corta relações com a empresa

Por Rafael Arbulu | 24 de Dezembro de 2019 às 16h50
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Em plena véspera de Natal, a Uber e Travis Kalanick, seu cofundador e ex-CEO, estão, efetivamente, de relações totalmente cortadas. Segundo o jornal americano The New York Times, o executivo renunciou à sua posição dentro do comitê de direção (board of directors) da empresa que moldou a indústria dos aplicativos de carona.

Pela matéria do jornal, Kalanick vinha vendendo sua participação acionária na empresa de forma gradual, em um total que já ultrapassa a marca de US$ 2 bilhões (R$ 8,17 bilhões). Pelo anúncio do próprio executivo, por meio de uma porta-voz, as últimas ações serão vendidas até a próxima quinta-feira, 26, sacramentando o fim do relacionamento entre Kalanick e a Uber, em caráter definitivo.

“A Uber tem sido uma parte da minha vida pelos últimos 10 anos. Ao fechamento desta década, e com a empresa agora sendo pública, me parece que o momento é propício para que eu me concentre em meus negócios atuais e objetivos filantrópicos. Estou orgulhoso de tudo o que a Uber conquistou, e continuarei a torcer pelo seu futuro à distância”, disse Kalanick em um comunicado. O ex-CEO da Uber agora atua como líder de um fundo de investimento, além de uma startup que gerencia as chamadas “cozinhas escuras”, nome atribuído pelos EUA a estabelecimentos que fazem comida exclusivamente para entrega.

Travis Kalanick, co-fundador e ex-CEO da Uber: executivo deixou a empresa em caráter definitivo hoje (24), após vender suas últimas ações e renunciar à sua cadeira no board de diretores

Travis Kalanick criou a Uber junto a Garrett Camp em 2009, após perceberem, durante uma saída juntos, que levaram tempo demais apenas para conseguir um táxi. Desde então, a companhia, que teve início como uma startup no Reino Unido, cresceu a ponto de tornar-se uma das maiores do mundo, com capital bilionário e presença global. Em maio deste ano, a Uber tornou-se uma companhia pública ao entrar para a Bolsa de Valores, mas seu desempenho tem sido aquém do esperado.

Kalanick foi forçado a deixar o posto de liderança da Uber em 2017 quando, à época, diversos escândalos de assédio sexual e moral começaram a minar a reputação da companhia. Segundo os diversos relatos da ocasião, tais práticas eram comunicadas por suas vítimas à gestão, mas a cultura interna da empresa era a de acobertar os casos relatados e, nas situações mais voláteis, transferir ou demitir funcionários reclamantes. Algo similar é vivido hoje pelo Google, vale citar.

Fonte: The New York Times (pode pedir assinatura)

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