Produção de The Crown custou US$ 125 milhões: “uma barganha”, diz Netflix

Por Rafael Arbulu | 22 de Setembro de 2019 às 17h25
(Captura de Imagem: Rafael Arbulu)
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The Crown, a série produzida pela Netflix que retrata a vida da Rainha Elizabeth II da Inglaterra, está em vias de chegar em sua terceira temporada, sinalizando até uma mudança de protagonista a fim de refletir a passagem dos anos na vida da monarca. Claramente, uma produção desse tipo, que já caminha para o seu terceiro ano, não deve sair barato.

US$ 125 milhões, segundo a Netflix. Pouco mais de R$ 518 milhões, pela cotação dólar-real da última sexta-feira (20).

Mas engana-se quem pensa que a (por enquanto) mais notável companhia do setor de streaming do mundo está pagando isso com dores nos bolsos: segundo o seu CEO, Reed Hastings, pelo caminho que o mercado como um todo parece tomar, o valor de produção da série britânica parecerá “uma barganha” em alguns meses. Isso porque, segundo Hastings, o setor de vídeo sob demanda deve mudar bastante logo menos.

Reed Hastings, CEO da Netflix: executivo antecipa que custos de produção de novas séries devem aumentar, frente à entrada de novas empresas no setor de streaming (Foto: Edgar Garrido/Reuters)

“É um mundo inteiramente novo nascendo em novembro”, disse Hastings, durante a conferência de mercado realizada pela emissora suíça RTS Television, no Reino Unido. “Algum dia, [os custos de produção de] The Crown parecerão uma pechincha”, ele adicionou.

A justificativa de Hastings para suas afirmações reside na iminente entrada de diversas empresas na oferta de conteúdo via streaming. O CEO da Netflix citou, por nome, Apple e Disney — respectivamente, as duas empresas terão seus serviços abertos em 1 de novembro e 12 de novembro. Ele também citou a ampliação dos serviços de vídeo da Amazon Prime (que viu um lançamento recente no Brasil, aliás) e a futura plataforma Peacock, criada pela NBCUniversal.

Segundo Hastings, a chegada de novos players de mercado é uma boa notícia para os produtores, haja vista que as empresas fornecedoras de conteúdo via streaming vão competir mais e mais para assegurar os direitos de reprodução e transmissão de suas criações. O CEO ainda sinalizou que, devido ao sucesso de The Crown, a Netflix deve investir com mais empenho em produções que atinjam o público britânico: “As possibilidades trazidas pela internet no crescimento do entretenimento são fenomenais, e ao longo dos próximos anos, com toda essa expansão, eu acho que veremos um amplo crescimento em quanto conteúdo será produzido aqui no Reino Unido”, ele apontou. “Neste ano, nós investimos pouco mais de £400 milhões [cerca de US$ 498 milhões, ou R$ 2,06 bilhões] e isso continua a crescer, seguindo a nossa base de assinantes”.

The Crown, cuja terceira temporada estreia em novembro, é parcialmente responsável pelo crescimento da Netflix no Reino Unido: série custou US$ 125 milhões para ser produzida e narra a vida da Rainha Elizabeth II (Imagem: Divulgação/Netflix)

Hastings aproveitou para apontar que a base de assinantes da Netflix subiu para 152 milhões de pessoas, creditando The Crown como parcialmente responsável por esse sucesso. Isso não impediu que as pessoas mostrassem interesse nas outras empresas, porém: segundo a Reuters, as ações da Netflix sofreram queda de 6% recentemente, gerando uma desvalorização acionária total de 26% segundo o seu último relatório financeiro.

Segundo o analista da Morningstar, Neil Macker, isso não deve mudar tão cedo: “As pessoas estão, cada vez mais, entendendo que a concorrência chegou, e isso vai aumentar. Empresas como a Disney estão dispostas a ‘sangrarem’ dinheiro por anos a fim de competir neste espaço”, ele disse.

E você, o que pensa dessa concorrência toda? Quais serviços de streaming você já assina e em quais você está de olho? Conte para nós nos comentários abaixo!

Fonte: Reuters

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