GoPro vai demitir mais de 200 pessoas devido à crise do coronavírus

Por Felipe Demartini | 16 de Abril de 2020 às 12h33
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A GoPro anunciou nesta quarta-feira (15) que terá de demitir 20% de sua força de trabalho, cortando mais de 200 funcionários em uma série de medidas para lidar com a crise gerada pelo novo coronavírus. As dispensas fazem parte de um pacote maior de medidas que prevê reduzir os gastos operacionais da companhia em US$ 350 milhões até o final de 2021, numa tentativa de lidar com resultados negativos obtidos nos períodos recentes.

Além das demissões, a GoPro anunciou que seu CEO, Nick Woodman, não receberá pagamentos até o final deste ano, enquanto seu modelo de negócios também vai mudar, com um foco renovado nas vendas de câmeras de ação diretamente para os consumidores. Reduções nos espaços físicos de escritórios, com a entrega de imóveis, por exemplo, também fazem parte do programa de reduções.

A expectativa é que, apenas com as dispensas dos funcionários e mudanças gerenciais, US$ 100 milhões sejam economizados somente neste ano, com esforços maiores levando esse valor a mais US$ 250 milhões em 2021. Os planos de redução de custos a longo prazo, entretanto, não foram revelados neste momento, nem as áreas e países que receberão os cortes de funcionários.

Sobre a mudança em seu modelo de negócios, por outro lado, a GoPro falou um pouco mais. A ideia é dar mais ênfase ao próprio site na venda de dispositivos e acessórios, passando a depender menos de distribuidores, varejistas e representantes locais. Eles ainda serão necessários em algumas regiões, onde a marca possui tração menor, mas a fabricante afirma que a venda direta tem sido a preferência dos consumidores em outros territórios e, por isso, será a principal abordagem para o futuro próximo.

A mudança de panorama é fruto não apenas da crise gerada pela pandemia do novo coronavírus, mas também de iniciativas recentes que não foram nada bem. O principal ponto, na visão dos especialistas, foi o fracasso do negócio de drones da GoPro, com unidades apresentando graves problemas de funcionamento e gerando uma quebra de confiança que machucou a marca como um todo.

A situação chegou a tal ponto que um recall de todas as unidades do Karma, o primeiro drone da GoPro, teve de ser realizado. E aí os números vieram à tona: cerca de 2,5 mil unidades vendidas e um processo de chamada de consumidores que aconteceu em pleno ápice da campanha presidencial de 2016, uma medida vista por muitos como uma forma de desviar as atenções do público sobre os problemas. Na mesma ocasião, a marca também interrompeu as vendas do dispositivo e, pelo que parece, suspendeu completamente seus trabalhos no segmento, já que novos anúncios nunca mais foram feitos.

Este, claro, não é o momento de falar disso, e sim em números. Ao anunciar as demissões e a mudança de foco, a GoPro também revisou os seus números, ajustando para US$ 119 milhões a expectativa de faturamento para o primeiro trimestre deste ano e antecipando perdas de US$ 0,30 por ação aos investidores. A companhia também afirmou que, apesar das alterações gerenciais, o mapa de anúncios e lançamentos de 2020 deve ser mantido, o que inclui novos dispositivos e serviços para novos e antigos clientes.

O anúncio balançou as ações da empresa na Bolsa, com os papéis da GoPro fechando com baixa de 13,6% nesta quarta-feira (15). As negociações pré-abertura de um novo pregão nesta quinta (16) mostram novo movimento de retração, com uma baixa de 3%.

Fonte: Bloomberg

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