Positivo Casa Inteligente: “Não perdemos nem suspendemos nada para a COVID-19”

Por Rafael Arbulu | 19 de Maio de 2020 às 09h38
Divulgação/Positivo
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A pandemia global da COVID-19 trouxe impactos extensos e, muito provavelmente, de longo prazo a diversos segmentos da indústria. Você sabe que a coisa é séria quando eventos gigantes como a E3, Comic-Con e até as Olimpíadas acabam canceladas ou reagendadas por uma força maior do que suas organizações possam suportar. O mesmo se diz do mercado de tecnologia, com fábricas parando, escritórios fechando e funcionários encaminhados ao home office.

Mas não para a brasileira Positivo, cuja divisão Casa Inteligente afirma que, mesmo diante de um cenário que muitos classificariam como “longe do ideal”, a fabricante, embora admita ter precisado de uma ou outra adaptação, afirma que seus negócios seguem um ritmo relativamente normal — ou tão normal quanto uma pandemia permite. Na verdade, esses tempos incertos vêm sendo encarados como uma oportunidade para a empresa experimentar com novas ideias.

Kit básico da linha de Casa Inteligente da Positivo: uma lâmpada controlada por app, um plug inteligente de tomada para economia e gestão de energia e um sensor que funciona como controle remoto universal. A empresa também tem kits voltados à segurança, com câmeras, tudo conectado via Wi-Fi (Foto: Rafael Arbulu/Canaltech)

Segundo o chefe da divisão Casa Inteligente da empresa, José Ricardo Tobias, os negócios da Positivo ainda seguem saudáveis. Ele faz questão de ressaltar que algumas práticas acabaram impactadas pela pandemia, mas as operações comerciais da companhia seguem firmes: “nós temos fabricação dividida, já que alguns produtos são desenvolvidos aqui [a empresa mantém estrutura de fábrica em Curitiba, no Paraná; e em Manaus, no Amazonas; além de ser dona de 80% da estrutura de fábrica da Accept em Ilhéus, na Bahia], enquanto outros são montados com peças importadas do mercado asiático. Estas últimas consistem da parte que nos trouxe uma adaptação, já que diversas reportagens mostram que algumas fábricas de lá fecharam, dispensaram funcionários”, comenta. “Aqui, porém, ao menos no que tange à minha divisão, nossa demanda segue em alta — mais até que o de costume, dependendo do local e da situação do mercado”.

José argumenta que o maior desafio foi justamente o “microgerenciamento” das práticas da Positivo. Isso porque, devido ao confinamento imposto por governos estatais, alguns estados estão abertos ao comércio irrestrito, ao passo que outros foram pioneiros do isolamento. “Embora isso pareça simples, a análise disso vem caso a caso, até porque trabalhamos com vendas diretas (e-commerce) e indiretas (varejo físico). No caso dos grandes varejistas, eles decidem quais lojas em quais estados vão funcionar antes de fazerem uma encomenda de nossos produtos — essa análise ganhou relevância nesse cenário”.

“Especificamente, ficamos apreensivos no começo disso tudo por nossa fábrica em Manaus: lá, nós reduzimos o volume de pessoas in loco, ou seja, dentro da fábrica, como medida de segurança e deixamos apenas o que era essencial — isso acabou impactando nosso volume de produção inicial. Entretanto, nessa situação incerta, acabamos estreitando nossas relações com os varejistas locais”, comenta José.

José Ricardo Tobias, chefe da divisão de Casa Inteligente da Positivo (Imagem: Reprodução/LinkedIn - Perfil pessoal)

No caso da divisão de Casa Inteligente, os produtos da Positivo são oferecidos nas duas frentes, mas José levanta a bandeira do varejo local como um caso de sucesso em formação para a Positivo: embora ele reconheça a força do e-commerce nesses produtos, a linha Casa Inteligente também é oferecida por parceiros no segmento de home center. “Eu não posso abrir os números diretos por uma questão de política interna, mas posso dizer que o panorama é, com o perdão da brincadeira, ‘Positivo’. Devido ao isolamento e ao tempo acrescido em casa, os consumidores estão procurando novos dispositivos que não apenas tragam uma inovação tecnológica, mas contribuam em sua produtividade no home office, o que nos fez ampliar o foco no comércio eletrônico, onde atuamos com venda direta ao consumidor por meio de nossa loja online”.

Resumidamente, a quarentena trouxe um momento único para os negócios da Positivo, o qual José crê que a empresa está sendo bem competente em tirar proveito: “uma tendência para nós é a de sermos mais autônomos, no sentido mais conservador da palavra. Nós estamos reforçando o conceito de DIY [sigla em inglês para 'Faça Você Mesmo'] para simplificar tecnologias que não dependam da interface física”.

A Positivo está vendo progresso em tecnologias que o próprio usuário possa configurar sozinho — vide os produtos de Casa Inteligente da empresa.

“É mais ou menos como aquela análise que o Canaltech fez: nosso panorama nesse período, falando pela minha divisão, é criar formas de apelar tanto ao usuário que conhece a tecnologia, como aquele que está sendo apresentado a ela agora. A longo prazo, o que queremos fazer é ajudar todos os parceiros com uma maior percepção online e ajudá-los a tornarem suas vendas virtuais mais atraentes, porque nem sempre todos os canais estão preparados para ressaltar as vantagens de um produto como esse. Nos EUA, isso já é uma realidade, então queremos o mesmo posicionamento aqui”.

A referência feita por José é, especificamente, um ponto de nossa análise publicada em outubro de 2019. Na ocasião, ressaltamos como uma consumidora comum conseguiu usar plenamente um kit enviado pela Positivo para nossa redação. Ainda que a instalação tenha sido feita por alguém que sabia o que estava fazendo, o uso da plataforma foi intuitivo até mesmo para quem não é necessariamente um usuário contumaz de tecnologia.

Basicamente, a Positivo está ensinando o vendedor terceirizado a detalhar para os consumidores as vantagens de um determinado produto, a fim de que este também possa manter sua relevância enquanto canal referência de vendas. Dessa forma, a empresa casa o bom desempenho do e-commerce — o qual José ressalta vir sendo mais buscado pelo consumidor — com a manutenção de saúde do varejo entre os parceiros pequenos, ao passo que os grandes varejistas seguem recebendo suprimentos da empresa em seus centros de distribuição.

A divisão de Casa Inteligente da Positivo está apostando no e-commerce, mas também está aprofundando relações com comerciantes varejistas, oferecendo sua competência para educar vendedores e clientes (Imagem: Divulgação/Positivo Informática)

Isso tudo sem contar o mercado corporativo, o qual José, embora cuidadoso ao citar, também diz estar trazendo mais demanda: “Uma coisa que percebemos é um crescimento na demanda por parte de empresas que, ao se verem dispensando seus funcionários para o trabalho em ambiente remoto, não dispunham de máquinas ou soluções para atender a essa súbita ampliação de gente trabalhando em home office. Todas as nossas soluções vêm sendo buscadas nesse aspecto também”.

De uma forma geral, a Positivo segue com seus negócios em dia. José reconhece que a pandemia representa um cenário incerto para a indústria em geral, mas também que a posição da Positivo, ao menos por enquanto, é favorável: “É claro que houve alguns gargalos, mas nós não tivemos de abrir mão de nada, nem cancelar, nem reagendar. Por enquanto, todos os nossos produtos e calendários seguem tal qual originalmente planejados: para este ano, estamos acelerando a produção e disponibilização de produtos justamente para compensar a questão logística. Teremos muitos lançamentos ao longo de 2020, inclusive nas próximas semanas podemos fazer alguns anúncios”, finaliza nos deixando na curiosidade.

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