Donald Trump inclui Huawei em lista de bloqueio comercial

Por Felipe Demartini | 17 de Maio de 2019 às 09h39
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Após meses de negociações e, principalmente bravatas, a Huawei foi adicionada a uma “lista negra” do governo dos Estados Unidos e passa a fazer parte de um bloqueio comercial imposto pelo país a companhias e entidades consideradas perigosas. A inclusão foi feita pelo presidente Donald Trump como parte de novas regras relacionadas ao papel do governo quanto à proteção de redes e infraestruturas essenciais do país.

Com isso, a Huawei fica impedida de vender seus produtos nos Estados Unidos e também de adquirir componentes ou negociar com companhias americanas sem autorização governamental. A medida vale tanto para a companhia em si quanto para suas subsidiárias, tornando praticamente impossível a realização de negócios da fabricante no país.

Para o secretário de comércio americano Wilbur Ross, a medida deve impedir que tecnologia americana seja usada em esforços contra o próprio país, além de dificultar a busca por falhas de segurança ou brechas que possam servir a interesses inimigos e minar a segurança nacional. A decisão, segundo o departamento, se baseia em investigações federais que encontraram indícios de conspiração e atividades consideradas “contrárias” aos interesses dos EUA, com a Huawei negociando, principalmente, com o Irã.

A decisão vem após meses de bravatas, discussões e atitudes do governo de Donald Trump, incluindo conversas diretas com a China em busca de soluções que nunca vieram e a prisão da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou. Ela foi detida no Canadá em janeiro por infringir leis federais que impedem empresas com atuação nos EUA de realizarem negócios com inimigos do estado — segundo informações do governo, a Huawei teria negócios com países como Irã e Coreia do Norte.

Ordem executiva de Trump garante mais autonomia ao governo para barrar negociações com empresas suspeitas de espionagem (Imagem: Jabin Botsford/The Washington Post)

Mesmo antes da prisão, Trump já desencorajava os negócios entre a Huawei, telecoms e empresas de infraestrutura dos EUA. Equipamentos da marca foram banidos de unidades do governo, com as relações entre a fabricante e o governo chinês, que levanta suspeitas de espionagem, sendo a principal razão. Agora, o bloqueio se torna oficial e passa a valer nos próximos dias.

A decisão acirra as tensões entre Estados Unidos e China, deixando as bolsas de valores do mundo em polvorosa. O banimento à Huawei é unilateral e se junta a outras medidas que dificultam o comércio entre os dois países, como tarifas de 25% para entrada de produtos chineses nos EUA e multas de US$ 60 bilhões sobre importadoras americanas que atuam no país asiático.

Em resposta à decisão, a Huawei disse que o banimento não vai tornar os Estados Unidos mais protegidos ou fortes, uma vez que não existem problemas de segurança nos produtos da marca ou relações escusas com o governo de seu país natal. Em vez disso, afirmou a empresa, os americanos ficam restritos a soluções de telecom inferiores e mais caras, enquanto infringem leis internacionais e tentam coibir o trabalho da companhia no mercado.

Ordem executiva

Na quarta-feira (15), Trump declarou estado de emergência nacional e assinou uma ordem executiva que expande os poderes do governo para proteção da infraestrutura de telecomunicações do país e prevenção à espionagem e ataques externos. Os setores de serviços e a indústria são os principais focos de proteção do governo, justamente, e segundo ele, por representarem os principais alvos dos inimigos.

O decreto dá ao governo o poder de barrar negociações entre empresas americanas e aquelas controladas por adversários internacionais ou que representem risco de espionagem ou sabotagem nas redes. Além disso, cria novas normas para a inclusão de empresas na chamada “lista de entidades”, indicando aquelas que têm severas restrições ou estão impedidas de atuarem no país. Aquisições, fusões, investimentos e até vendas de parcelas de controle ou ações a companhias nestas condições também devem ser aprovadas pelas autoridades e podem ser proibidas em caso de suspeitas.

Fonte: The Washington Post, Reuters

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