Tidal estaria inflando números de reproduções de álbuns da Beyoncé e Kanye West

Por Ramon de Souza | 10 de Maio de 2018 às 07h51

Embora não seja muito popular aqui no Brasil, o Tidal — serviço de streaming que concorre com o Spotify — faz um sucesso razoável no exterior, diferenciando-se no mercado por oferecer músicas em altíssima qualidade (HiFi). Porém, de acordo com informações levantadas pelo jornal norueguês Dagens Næringsliv, a empresa parece ter manipulado alguns números sobre si mesma no intuito de se autopromover no segmento.

Tudo indica que a plataforma inflou estatísticas públicas sobre os álbuns The Life of Pablo, do rapper Kanye West, e Lemonade, da cantora Beyoncé. Ambos os discos foram lançados com exclusividade temporária no Tidal; o primeiro, de acordo com um comunicado emitido pela própria companhia, foi reproduzido 250 milhões de vezes só durante os dez primeiros dias de publicação no serviço.

Só que tem um detalhe: na época, o Tidal tinha apenas três milhões de usuários, o que significa que, para tais números serem verdadeiros, cada assinante deveria ter ouvido o disco inteiro oito vezes por dia. Parece improvável, não é? O mesmo ocorreu com o álbum da Beyoncé: na teoria, ele foi reproduzido 300 milhões de vezes em 15 dias de exclusividade na plataforma.

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Algo de errado não está certo

Percebendo essas inconsistências, o jornal supracitado firmou uma parceria com analistas de dados da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia e passou a analisar manualmente as estatísticas da plataforma. Eles perceberam que o Tidal manipulou logs de reprodução de mais de 1,7 milhões de seus usuários, gerando 320 milhões de reproduções “extras” para parecer que tais obras foram realmente populares.

(Imagem: TechCrunch)

No caso de The Life of Pablo, as reproduções falsas eram adicionadas ao histórico dos assinantes em horários discretos, como às 05h da madrugada; já no caso de Lemonade, a falsificação foi escancarada, com músicas sendo repetidas sozinhas a cada uma ou duas horas após a reprodução legítima. Ao que tudo indica, o esquema só foi aplicado com esses dois discos e não afetou outros artistas.

Para comprovar sua tese, o Dagens Næringsliv entrou em contato com alguns usuários cujas reproduções foram manipuladas. Um deles, uma mulher de 34 anos identificada como Tiare Faatea, possuía 11 horas de reprodução diária de Lemonade em seu log. “Eu amo Beyoncé, mas 11 em um único dia é completamente impossível”, afirmou a entrevistada.

Através de seu advogado, o Tidal refutou as acusações e disse que jamais inflaria os números de sua plataforma para promover artistas.

Fonte: The Next Web, Music Business Worldwide

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