Downloads de músicas atingem pior baixa da história; streaming segue crescendo

Por Felipe Demartini | 26 de Fevereiro de 2020 às 11h43

O mercado da música continua provando o quanto velhas tendências morrem para que novas tomem seu lugar, de forma rápida e, para as empresas do ramo, até assustadora. De acordo com dados da RIAA (Associação das Indústrias Fonográficas da América, na sigla em inglês), 2019 foi o pior ano da história dos downloads pagos, que ficaram abaixo até mesmo das mídias físicas. Enquanto isso, as plataformas de streaming continuam crescendo.

Nos Estados Unidos, o faturamento total do mercado fonográfico foi de US$ 11,1 bilhões no ano passado, sendo que as plataformas de streaming contribuíram com 61% desse total. No setor, o crescimento foi de 25% e apenas Spotify e Apple Music geraram um total de US$ 6,8 bilhões em ganhos durante o período, 25% a mais que o registrado em 2018.

O número de assinantes desses serviços online também teve aumento significativo, de 29%, e chegou a 60,4 milhões de pessoas. Hoje, 79% do consumo fonográfico americano é realizado por meio de plataformas de streaming, um total que ainda deve continuar crescendo plenamente na medida em que mais pessoas aderem à onda e às mensalidades para obterem acesso ou vantagens especiais nas principais plataformas.

Enquanto isso, no mercado de downloads, a velocidade é semelhante, mas em direção oposta. A compra direta de faixas e músicas digitais contribuiu para apenas 8% do faturamento total da indústria, marcando a primeira vez desde 2006 — quando esse setor ainda era incipiente — que os ganhos ficaram abaixo da marca de US$ 1 bilhão.

2019 marcou mais um declínio dos downloads musicais, que ficaram atrás até mesmo das compras de músicas físicas (Imagem: Divulgação/Apple)

Em 2019, os downloads também apareceram abaixo das compras de discos e mídias físicas, uma ultrapassagem garantida pelo amplo sucesso dos vinis, que apresentam crescimento nas vendas pelo 14º ano consecutivo. Apenas nos bolachões, o faturamento é de US$ 500 milhões, enquanto o total de vendas físicas, por mais que tenham tido queda, representam 10% da indústria.

Estamos falando em crescimento e dezenas de bilhões de dólares, mas a RIAA não parece muito satisfeita. Comentando os números, o diretor da associação, Mitch Glazier, disse que o mercado está altamente aquecido e que isso representa uma grande oportunidade para criadores e novos talentos, que possuem uma via direta de contato com os fãs e novos ouvintes para criação de uma base de fãs.

Por outro lado, o executivo voltou a frisar que, para que o mercado prospere, é necessária a busca por uma comunidade “saudável” na qual “a música seja valorizada e os artistas recompensados devidamente”. Na visão de Glazier, o potencial do setor nas plataformas digitais ainda não foi atingido, apesar de já ter se consolidado, com o momento sendo propício para um trabalho mais de acordo com tais princípios.

Fonte: RIAA (Medium)

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