Threads vs X: Meta aposta em segurança e dados integrados para vender anúncios
Por Marcelo Fischer Salvatico • Editado por Bruno De Blasi |

A Meta anunciou nesta quarta-feira (21) que começará a exibir anúncios no Threads a partir da próxima semana. A implementação será em nível global e inclui usuários do Brasil. A plataforma, semelhante ao X (antigo Twitter), se mostrou mais “segura” para anunciantes e conta com o diferencial da integração com outras redes da empresa.
- Threads ultrapassa o X entre usuários de Android e iOS, mostra pesquisa
- MPF e ANPD exigem que X bloqueie deepfakes sexuais no Grok
A expansão do inventário publicitário ocorrerá de forma gradual. A empresa pretende manter a frequência de exibição em níveis baixos inicialmente, aumentando o volume conforme a ferramenta alcança toda a base de usuários nos próximos meses.
Os formatos disponíveis seguem o padrão já conhecido em outras plataformas da companhia de Mark Zuckerberg, como Instagram e Facebook. Os usuários visualizarão publicidade nativa no feed em formatos de imagem única, vídeo, carrossel e catálogo.
Para os anunciantes, a integração será direta. As marcas poderão estender campanhas já existentes no Gerenciador de Anúncios da Meta para o Threads, sem a necessidade de criar peças exclusivas para a plataforma de texto.
A Meta também confirmou que haverá recursos de controle para o usuário. Será possível ocultar, pular ou denunciar anúncios através do menu da postagem, de forma similar ao que ocorre no Instagram.
Rede mais segura para anunciantes
A decisão de monetizar o Threads ocorre em um momento estratégico de diferenciação em relação ao seu principal concorrente, o X de Elon Musk.
O bilionário e dono daTesla retirou diversos filtros de segurança da rede social, além de se envolver em diversas polêmicas com o Grok, chatbot de inteligência artificial (IA) nativo na plataforma, como o caso dos deepfakes sexuais sem consentimento. Essas decisões não agradam os anunciantes.
De 2022, o ano em que assumiu o Twitter, para 2023, a empresa perdeu cerca de 50% da receita com anúncios, caindo de US$ 4,5 bilhões para US$ 2,2 bilhões, de acordo com a WARC Media Data. É estimado que a perda total chegue na casa dos US$ 5,9 bilhões desde então.
Já a Meta decidiu ser a versão “chata” mas “segura” do Twitter. A empresa implementou filtros de inventário nativos, permitindo que anunciantes controlem o nível de sensibilidade do conteúdo orgânico que aparecerá ao lado de suas propagandas. Isso atrai marcas que buscam o engajamento de uma rede social de conversas, mas evitam o ambiente imprevisível do concorrente.
Outro diferencial competitivo é o “Cross-Targeting”. Diferente de outras plataformas que precisam construir o perfil do usuário do zero, o Threads possui o histórico de dados do Instagram e Facebook. Isso permite uma segmentação precisa desde o primeiro dia, elevando o valor potencial de cada impressão publicitária.
Crescimento da base e mudança de planos
A introdução de publicidade marca uma mudança na filosofia histórica de Mark Zuckerberg. O CEO da Meta já havia declarado anteriormente que a monetização de seus aplicativos só deveria ocorrer após a plataforma atingir 1 bilhão de usuários.
Atualmente, o Threads conta com cerca de 400 milhões de usuários ativos mensais. Apesar de não ter atingido a marca do bilhão, a plataforma demonstrou força suficiente para antecipar a geração de receita.
Um relatório da empresa de inteligência de mercado Similarweb indica que o Threads superou o X em usuários ativos diários em dispositivos móveis (Android e iOS), registrando 141,5 milhões contra 125 milhões da rede de Musk em janeiro de 2026.
A ultrapassagem consolidou a plataforma da Meta como a principal opção para conversas públicas via mobile.
O peso financeiro da publicidade
A monetização do Threads — antes dos 1 bilhão de usuários como previa Zuckerberg — responde também à necessidade da Meta de diversificar e ampliar suas fontes de receita publicitária. No terceiro trimestre de 2025, a publicidade representou a quase totalidade do faturamento da empresa.
De acordo com o relatório financeiro do Q3 2025, a Meta registrou uma receita total de US$ 51,24 bilhões. Deste montante, US$ 50,08 bilhões vieram exclusivamente de publicidade.
A eficiência dos anúncios da empresa segue em alta, com um aumento de 10% no preço médio por anúncio e um crescimento de 14% nas impressões entregues em seus aplicativos.
Veja também:
- Afinal, o que é a 'lei dos influenciadores digitais'? Entenda o que vai mudar
- Google abre vagas para curso gratuito de IA e nuvem com sistema de premiação
- O Pix será taxado e monitorado? Receita Federal nega boatos
Ouça o Podcast Canaltech: